Por Marco Severini, Espresso Italia.
No oitavo dia de um confronto que se amplia como um movimento tenso no tabuleiro estratégico do Oriente Médio, Irã e Israel registraram uma nova rodada de ataques com mísseis e drones. A escalada envolve não apenas operações aéreas e navais locais, mas também manobras de poder que redesenham linhas de influência no Mediterrâneo e no Golfo.
Segundo relatos, caças israelenses lançaram durante a noite cerca de 230 munições contra diversos alvos militares iranianos, entre os quais a universidade militar central das Forças de Guarda da Revolução — a “Imam Hussein” —, apontada como nó logístico e local de concentração de forças no âmbito da operação referida como “Rising Lions”.
Em contrapartida, o Irã afirmou ter destruído um sistema radar avaliado em 300 milhões de dólares, equipamento considerado crucial para o direcionamento das baterias de defesa antimisseis dos EUA no Golfo. A informação foi confirmada pela agência Bloomberg, e precedida por reportagens da CNN que indicavam ataques iranianos ao radar e aos equipamentos de apoio usados pelos sistemas THAAD na base aérea de Muwaffaq Salti.
O quadro estratégico se complica com o reforço militar norte-americano no teatro. Fontes da mídia americana, citadas pela Fox News, informam que os Estados Unidos estão a encaminhar uma terceira porta-aviões ao Mediterrâneo, além da Abraham Lincoln e da Gerald Ford. A George H.W. Bush deve se deslocar em breve para o Mediterrâneo Oriental, depois que a Gerald Ford transitou pelo Canal de Suez e permaneceu no Mar Vermelho.
Outro sinal de demonstração de força aéreo-logística ocorreu no Reino Unido: bombardeiros Rockwell B-1 Lancer pousaram na base aérea de RAF Fairford, no Gloucestershire. O primeiro B-1 chegou na noite anterior à base que Londres pôs à disposição dos EUA — um movimento que, em termos de geopolítica, representa um reforço do alcance estratégico ocidental em reação às operações iranianas.
No espaço civil, o aeroporto de Dubai foi temporariamente fechado; a companhia Emirates suspendeu voos e pediu aos passageiros que evitassem deslocamento até novo aviso, refletindo o impacto direto da guerra sobre rotas comerciais e hubs logísticos da região.
Paralelamente, a marinha iraniana lançou uma onda de ataques por drones contra alvos em Israel e contra bases americanas nos Emirados Árabes Unidos e no Kuwait, enquanto o Corpo das Guardas da Revolução declarou ter atacado com sucesso a base aérea norte-americana de Al Dhafra, atingindo, segundo a agência Tasnim, centros de comando, comunicações por satélite e radares.
Diplomaticamente, Teerã emitiu forte alerta aos países europeus. O vice-ministro das Relações Exteriores, Majid Takht-e Ravanchi, advertiu que qualquer participação europeia na “agressão israelense-americana” tornaria esses Estados “alvos legítimos” do Irã, um aviso que amplia a dimensão do conflito para além do teatro local e ameaça criar fraturas perigosas na arquitetura da segurança transatlântica.
Estamos diante de um momento em que cada movimento militar é também um lance político: o reforço de porta-aviões, o deslocamento de bombardeiros estratégicos, a neutralização de radares e os avisos diplomáticos configuram um rearranjo de forças — uma tectônica de poder que não se limita a fronteiras visíveis. A prudência estratégica recomenda vigilância calorosa: o risco é que escolhas rápidas e mal calibradas produzam mudanças irreversíveis no tabuleiro regional.






















