Irã eleva o tom diplomático e aponta diretamente Israel e os Estados Unidos como atores que tentam transformar o atual conflito em uma guerra regional. Em declaração oficial, o porta‑voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, denunciou o que descreveu como um plano do regime sionista para ampliar as frentes de hostilidade após os massacres ocorridos na Palestina, no Líbano, na Síria e no Iêmen, dirigindo também um severo alerta à União Europeia.
Baghaei afirmou que Teerã havia antecipado a possível evolução do confronto: “Avisei-mos que a guerra seria regional”, recordou, citando advertências anteriores e a lembrança do seu comandante‑em‑chefe martirizado, que, segundo ele, já havia previsto que o embate não permaneceria confinado. Para o porta‑voz, a responsabilidade pelo alargamento do conflito não recai sobre o Irã: “A região está sendo usada como palco para ataques militares, não porque o Irã deseje torná‑la insegura. Tornar a região insegura é um projeto do regime sionista e, lamentavelmente, os Estados Unidos foram arrastados para esse projeto”.
No tom característico de quem avalia movimentos num tabuleiro de poder, Baghaei sublinhou que as forças armadas iranianas têm como alvo apenas “objetivos militares“: instalações e bases onde se concentram forças militares americanas, segundo seu relato. Ele alertou ainda para a possibilidade de o regime sionista explorar a «situação turva» para expandir a violência e provocar sabotagens em países vizinhos, com o objetivo de transformar um conflito bilateral em um conflito regional.
Em crítica direta à diplomacia ocidental, Baghaei acusou Washington de repetidas falsidades: “Mentira após mentira e engano após engano; esse é o padrão da diplomacia americana nesta era”, disse. Ao rebater as acusações sobre um programa nuclear, o porta‑voz lembrou da adesão do Irã ao Tratado de Não Proliferação e afirmou que Teerã não procurou iniciar esta guerra, privilegiando a diplomacia como primeira opção.
O cenário regional acompanha a escalada: manifestações pró‑Irã no Iraque, com ataques à Green Zone e confrontos diante da embaixada dos EUA, e relatos de operações que atingiram pontos no Golfo — como o porto de Salalah, a base aérea de Al Udeid e instalações energéticas em Fujairah — evidenciam a extensão das tensões, que já impactam potências do Golfo e redesenham linhas de influência na região.
Na leitura estratégica que proponho, trata‑se de um movimento decisivo no tabuleiro: atores centrais tentam, por meio de ações e narrativa, deslocar o conflito para um patamar em que alterem alicerces de segurança regional. A resposta diplomática e a postura das capitais europeias e regionais serão cruciais para evitar a abertura de frentes adicionais e um redesenho de fronteiras invisíveis na tectônica de poder do Oriente Médio.






















