Por Marco Severini, Espresso Italia. A tensão no Irã escalou para um nível em que autoridades locais e observadores externos falam abertamente de um possível ataque iminente. Em declarações retransmitidas pelo site Iran International, o deputado Salar Velayatmadar, membro da Comissão de Segurança Nacional do parlamento, advertiu que, embora hoje não se registre um confronto aberto, o país vive uma combinação perigosa de “guerra midiática, guerra política e guerra de resoluções” que pode desembocar numa guerra militar a qualquer momento.
Na narrativa oficial, reproduzida por vários porta-vozes do regime, a atual onda de agitação interna é atribuída a forças externas rotuladas como “inimigas”, com menções explícitas a serviços de inteligência dissidentes que teriam mobilizado agentes no terreno. Essas palavras devem ser lidas como peças de um discurso de legitimidade em que o aparelho estatal busca consolidar a defesa interna e preparar a opinião pública para medidas extraordinárias.
Do lado externo, a mídia israelense — notadamente o Canal 13 — informou que as Forças de Defesa de Israel (IDF) reforçaram sua prontidão e completaram preparativos para apoiar um eventual ataque militar dos Estados Unidos contra o Irã, caso Washington opte por essa via. Segundo a reportagem, unidades e estruturas de comando foram colocadas em alerta ampliado, reflexo de um maior coordenação operativa e de planos de contingência em meio à deterioração da estabilidade regional. A notícia acompanha o encontro entre o almirante Brad Cooper, comandante do CENTCOM dos EUA, e o chefe do Estado-Maior das IDF, Eyal Zamir, em território israelense.
Paralelamente, veículos como o Jerusalem Post noticiaram que a Guia Suprema, o aiatolá Khamenei, teria se abrigado em um bunker por temor de um ataque aéreo norte-americano. Fontes locais indicam que Massud Khamenei, seu terceiro filho, assumiu a supervisão das operações diárias da liderança suprema, convertendo-se em elo direto com os ramos executivos do sistema. Essa mudança temporária na cadeia de comando revela a fragilidade prática dos alicerces do poder diante de um choque externo potencial.
Do lado militar iraniano, a agência Nournews, próxima ao Conselho Supremo de Segurança Nacional, divulgou a mensagem do general Mohammad Pakpour, comandante dos Guardas Revolucionários, que alertou os Estados Unidos e Israel para “evitarem qualquer erro de cálculo”. Pakpour afirmou que as Guardas estão “mais prontas do que nunca, com o dedo no gatilho”, numa linguagem destinada tanto a dissuadir quanto a mobilizar a tropa.
O contexto que alimenta esse clima de crise são as manifestações populares que começaram em 28 de dezembro, desencadeadas pelo colapso do rial. Protestos massivos e sua violenta repressão deixaram um saldo trágico de milhares de vítimas e detenções, ampliando a fissura entre regime e sociedade. Em mapa geopolítico, o Irã parece, por ora, um tabuleiro em que movimentos defensivos e símbolos de proteção — bunkers, mudanças de comando, reforços navais — redesenham fronteiras invisíveis e sinalizam que a tectônica de poder regional está em mutação.
Como analista de relações estratégicas, observo que cada gesto, cada deslocamento de frota e cada declaração pública compõem uma estrutura de sinais que pode precipitar decisões decisivas. Em tal cenário, a prudência e a leitura cuidadosa do risco são imperativos: um erro de cálculo, numa região já tão sensível, pode transformar o xadrez diplomático em um confronto aberto.






















