Marco Severini — No quarto dia de um confronto que redesenha, passo a passo, as linhas de influência no Oriente Médio, o Irã intensificou ações contra alvos aliados a Washington e Tel Aviv, enquanto reaparecem sinais claros de que a crise pode escalar para um teatro mais amplo. Em Teerã, ataques com drones atingiram instalações diplomáticas e infraestruturas estratégicas, incluindo um golpe contra a embaixada dos Estados Unidos em Riad. A resposta pública de Washington, pelo presidente Trump, foi lacônica e severa: munição considerada “ilimitada” e a declaração de que os EUA poderiam “combater para sempre e vencer” — uma retórica que atua tanto como dissuasão quanto como aviso.
De maneira simultânea, Israel confirmou ter atacado a sede da emissora estatal em Teerã, enquanto a capital iraniana registrou uma série de explosões. O próprio regime iraniano, por sua vez, ampliou ataques contra países do Golfo que abrigam bases americanas, anunciando que se prepara para uma “guerra longa”. Os Estados Unidos não descartam uma operação terrestre e dizem-se prontos a ir “até onde for necessário” — expressão que nos remete a movimentos de longo prazo no tabuleiro estratégico, com risco de alterações territoriais e operacionais duradouras.
As autoridades sauditas relataram um “incêndio limitado” na noite entre segunda e terça-feira na embaixada americana em Riad, após o impacto de dois drones. O ministério da Defesa da Arábia Saudita descreveu danos materiais leves. Explosões adicionais foram ouvidas na capital. “Responderemos em breve”, advertiu o presidente Trump, sinalizando um ciclo de ação e reação que tende a prolongar-se caso os atores externos não recuem.
O Irã emitiu um alerta direto às capitais europeias: “Não se juntem à guerra” promovida por Estados Unidos e Israel. É um apelo que mistura cálculo estratégico e diplomacia de dissuasão — uma tentativa de isolar o conflito e reduzir a coesão de uma possível coalizão mais ampla.
Novas explosões também foram registradas em Jerusalém, onde as Forças de Defesa de Israel informaram ter detectado o lançamento de mísseis provenientes do Irã, acionando sistemas de defesa para interceptação. No Golfo, destroços de drones abatidos provocaram um incêndio em uma zona industrial petrolífera em Fujairah, Emirados Árabes Unidos; as autoridades locais afirmaram que as operações voltaram à normalidade e que não houve feridos.
Em solo libanês, a tensão aumentou: a força da ONU, Unifil, ordenou a evacuação do pessoal não essencial do sul do país diante da escalada e do avanço de tropas israelenses, autorizadas a consolidar posições adicionais no sul do Líbano. O movimento xiita Hezbollah afirmou ter atingido três bases israelenses em retaliação aos ataques que visaram suas fortalezas, incluindo subúrbios ao sul de Beirute.
Estamos, portanto, diante de uma tectônica de poder onde cada ação reverbera em múltiplos teatros — do mar do Golfo às franjas urbanas de Beirute e Jerusalém. O conflito não é apenas militar; é um confronto de cadeias de comando, rotas energéticas e alianças tacitamente redesenhadas. Como num jogo de xadrez de alto risco, os atores buscam posições que lhes assegurem vantagem estratégica no decorrer de uma partida cuja duração e desfecho permanecem incertos.
Do ponto de vista diplomático, a recomendação prudente para as capitais europeias é evitar se transformarem em peões de uma escalada que pode consumir recursos e estabilidade regional, sem garantias claras de resultados políticos duradouros. A busca por mecanismos de contenção, mediação e canais de comunicação abertos entre os principais protagonistas continua sendo o alicerce mais sólido para evitar uma conflagração maior.






















