Por Marco Severini — Em mais um movimento relevante no tabuleiro investigativo em torno do incêndio de Ano-Novo no clube Le Constellation, a procuradoria de Sion abriu procedimento penal contra um terceiro suspeito: um ex-responsável pela segurança do município de Crans-Montana. A informação, avançada pela RSI, foi confirmada por fontes próximas ao caso.
O interrogatório do indiciado está marcado para 9 de fevereiro, segundo a nota do Ministério Público vallesano. Trata-se do terceiro indivíduo formalmente colocado sob investigação no inquérito que apura as causas do incêndio que vitimou 40 pessoas, em sua maioria jovens, e que provocou uma comoção nacional e internacional.
Do ponto de vista procedimental, a ampliação do rol de indiciados sinaliza um alargamento da mira das autoridades para além da gestão direta do estabelecimento. A investigação passa, agora, a contemplar possíveis responsabilidades penais do próprio município por omissão ou insuficiência no controle dos estabelecimentos públicos, nomeadamente no que diz respeito a normas de segurança e à fiscalização de eventos que assumem grande deslocamento populacional.
Em termos de Realpolitik local, este é um movimento que redesenha fronteiras invisíveis de responsabilidade: a transição do foco exclusivo sobre operadores privados para o escrutínio de atores públicos representa um passo decisivo, comparável a um lance de torre no centro do tabuleiro — claro e diretivo, com consequências estruturais sobre a governança municipal.
As autoridades judiciais não divulgaram detalhes adicionais sobre as motivações específicas para o novo indiciamento, nem sobre eventuais provas que teriam motivado a medida. O agendamento do interrogatório, contudo, sugere que o Ministério Público trabalha com documentação e elementos que justificam ouvir formalmente o ex-responsável, no sentido de esclarecer eventuais omissões ou decisões administrativas que possam ter contribuído para a tragédia.
É importante enfatizar que o enquadramento penal de agentes públicos ou ex-agentes não implica, por si só, condenação automática: trata-se de um passo processual que permite à investigação aprofundar linhas de prova e estabelecer nexos de causalidade. Juridicamente, estarão em análise aspectos como a existência de deveres de controle, a observância das normas municipais e cantonais de segurança e eventual culpa ou negligência na fiscalização de locais de elevado risco.
Para a sociedade de Crans-Montana e para os familiares das vítimas, o desdobramento processual é também um teste institucional: a capacidade do aparelho judicial em produzir respostas claras e responsáveis, garantindo transparência sem precipitações, será crucial para restaurar confiança num contexto de dor pública. Do ponto de vista geopolítico e de estabilidade local, a gestão transparente deste inquérito servirá como alicerce para evitar rupturas sociais e politizações prematuras.
Enquanto as peças do processo se movem, o país observa com atenção. A apuração cabal dos fatos — com a imparcialidade que cabe a um sistema judiciário maduro — será, em última instância, o melhor remédio contra as incertezas que ainda cercam o que provocou o incêndio no Le Constellation.






















