Por Marco Severini — Em um movimento que revela tanto a tática quanto a cautela política da Casa Branca, a administração de Donald Trump declarou estar disposta a reduzir o contingente do ICE no Minnesota, desde que haja cooperação por parte do governo local. A declaração ocorre na esteira das mortes de Alex Pretti e Renee Good, episódios que reacenderam tensões sobre a presença federal no terreno.
Tom Homan, figura-chave no esquema de controle de fronteiras do governo e referido como o ‘czar’ da área, antecipou em coletiva em Minneapolis que a operação de fato continuará, mas será calibrada. “Não estamos renunciando à nossa missão. Estamos apenas tornando-a mais eficaz”, disse Homan, explicando a intenção de buscar uma “cooperação de bom senso que nos permita diminuir os agentes que temos aqui”. A fala denota uma tentativa de equilibrar a pressão política em Washington com a necessidade operacional de manter presença e autoridade.
A movimentação de reduzir forças diante da cooperação local funciona como um movimento estratégico no tabuleiro: reduz riscos políticos imediatos sem, entretanto, abandonar os alicerces da diplomacia de segurança que sustentam a atuação federal. É uma transição de volume por coordenação — menos corpos, mas potencialmente maior legitimidade se houver coordenação institucional.
Paralelamente, o próprio Donald Trump emitiu comentário polêmico sobre Alex Pretti, o enfermeiro morto enquanto tentava auxiliar uma mulher supostamente agredida por agentes do ICE. Na sua publicação na rede “Truth”, Trump descreveu Pretti como um “agitador e talvez um insurrecto”. O presidente citou um vídeo — divulgado dias antes do episódio fatal — que mostra Pretti em confronto com agentes federais, gritando e, segundo Trump, cuspindo no rosto de um agente que se mantinha calmo e controlado na ocasião.
O episódio traz à tona o permanente desafio de legitimidade que as operações de imigração enfrentam em democracias federais: a necessidade de exercer autoridade sem provocar erosões de confiança que transformem a força em alvo. A administração opta por uma resposta de mitigação pública — redução condicional do contingente — enquanto reafirma a continuidade da missão, uma estratégia que busca preservar influência política e operacional.
Do ponto de vista geopolítico doméstico, trata-se de um movimento que tenta redesenhar fronteiras invisíveis entre autoridade federal e autonomia local. A chamada por “cooperação de bom senso” é, em essência, um convite a costurar uma trégua institucional que permita ao governo federal manter instrumentos de poder sem enfrentar isolamento político total no palco local.
Em suma, a administração Trump demonstra aqui uma combinação de prudência e firmeza: reduzir o número de agentes como manobra de contenção política, mantendo a missão central do ICE e preservando, nos bastidores, as linhas de comando que definem a política de imigração. Trata-se de um ajuste estratégico, cujo sucesso dependerá tanto da reação das autoridades do Minnesota quanto da forma como os casos de Alex Pretti e Renee Good forem investigados e esclarecidos.






















