Na madrugada de 20 de janeiro, a tensão no tabuleiro geopolítico ucraniano elevou-se novamente quando a Rússia lançou um novo conjunto de ataques contra Kiev, empregando mísseis balísticos e drones. Explosões foram ouvidas em vários pontos da capital, com relatos de interrupções de energia e abastecimento de água, segundo informações da mídia ucraniana e declarações oficiais.
O alarme aéreo soou por volta das 01:30 (hora de Kiev) diante da ameaça dos drones, seguido, em breve, pela identificação de uma ameaça de mísseis balísticos. Por volta das 02:00, as forças russas teriam lançado múltiplos mísseis contra a capital. O prefeito de Kiev, Vitalii Klitschko, informou que, até o momento, uma pessoa ficou ferida no distrito de Dniprovskyi e uma ambulância foi enviada para atendimento.
Relatos das 03:00 apontam para danos no mesmo distrito: edifícios não residenciais foram atingidos e destroços de um drone caíram em área aberta. Em razão dos impactos, registros apontam interrupções na energia elétrica e no fornecimento de água nas áreas da margem esquerda da cidade; várias infraestruturas sociais foram colocadas em modo de alimentação autónoma para garantir serviços essenciais.
No decorrer do dia, as forças russas também concentraram ataques nas regiões de Dnipropetrovsk, atingindo os distritos de Nikopol e Synelnykove. O chefe da administração militar regional, Oleksandr Hanzha, comunicou que sete pessoas ficaram feridas e que infraestruturas civis sofreram danos. Em Nikopol, cinco civis foram feridos; um homem de 41 anos foi hospitalizado com ferimentos de gravidade moderada, enquanto outros quatro receberam cuidados médicos domiciliares.
Além de Nikopol, comunidades como Pokrov, Myrove, Marhanets e Chervonohryhorivka foram alvo de ataques durante o dia, com uso combinado de drones e artilharia. Dois imóveis residenciais foram consumidos por incêndios e outras 12 habitações sofreram danos, segundo relatos das autoridades locais.
Em mensagem pública nas redes, o presidente Volodymyr Zelensky alertou que a Rússia estaria preparando um novo ataque massivo e instou à máxima vigilância: “nos próximos dias devemos permanecer muito atentos; a Rússia se preparou para um ataque maciço e apenas aguarda o momento oportuno para lançá-lo”, disse em vídeo postado na plataforma X.
Paralelamente ao agravamento das operações militares, as negociações políticas parecem atravessar um momento de estagnação. Nos bastidores das conversas internacionais, o esperado encontro entre o presidente ucraniano e o ex-presidente americano Donald Trump previsto para Davos não se confirmou até o presente momento — um passo tático que reflete a cautela mútua e o jogo de influência em curso nos circuitos diplomáticos.
Do ponto de vista estratégico, assistimos a um movimento decisivo no tabuleiro: bombardas e drones atacam infraestruturas e cidades, enquanto a diplomacia avalia suas peças em busca de vantagem. Os alicerces frágeis da segurança urbana e regional voltam a ser testados, e a tectônica de poder na frente oriental se redesenha, ainda que de forma sutil e perigosa.
Como analista da dinâmica internacional, registro a necessidade de monitoramento contínuo e de coordenação das capacidades civis e militares para mitigar danos e preservar vidas. A intensidade dos ataques e a retórica de preparação para um ataque mais amplo elevam o risco de escalada, exigindo respostas calibradas dos aliados e mecanismos robustos de apoio humanitário e de proteção de infraestruturas críticas.






















