Sou Marco Severini, e, com a serenidade analítica de quem observa o tabuleiro das grandes potências, apresento um retrato sintético e documentado do conflito que, desde 24 de fevereiro de 2022, remodela a geopolítica europeia. Após quatro anos de enfrentamentos, quais são as dimensões reais desta guerra e que movimentos definem hoje o equilíbrio — ou o impasse — entre Ucrânia e Rússia?
Segundo o último balanço das Nações Unidas, quase 15.000 civis foram mortos e cerca de 40.600 feridos em território ucraniano, números que, admitem observadores, são provavelmente subestimados devido ao difícil acesso às áreas ocupadas. Em paralelo, ataques ucranianos contra zonas fronteiriças russas também produziram centenas de vítimas.
No front das perdas militares, o presidente Volodymyr Zelensky reconheceu a morte de aproximadamente 55.000 militares ucranianos desde 2022 — valor que muitos consideram conservador pelo elevado número de desaparecidos. A Rússia mantém silêncio oficial sobre suas baixas; porém, levantamentos jornalísticos e acadêmicos indicam números muito superiores: o serviço em língua russa da BBC e o Mediazona contabilizam mais de 177.000 mortos confirmados entre militares russos, enquanto o Center for Strategic and International Studies (CSIS) estima até 325.000 russos e entre 100.000 e 140.000 ucranianos mortos desde 2022. A ONU estima ainda quase 6 milhões de refugiados ucranianos.
Territorialmente, a guerra devastou vastas áreas, com impacto concentrado no Donbas — o vale do rio Donec que compreende as regiões de Luhansk e Donetsk. Cidades inteiras como Bakhmut, Toretsk e Vovtchansk foram reduzidas a escombros. Ataques contínuos às infraestruturas energéticas deixaram milhões sem aquecimento e eletricidade durante períodos críticos.
Relatórios das Nações Unidas apontam que cerca de 20% do território ucraniano está contaminado por minas e restos explosivos, um legado que prolongará a crise humanitária e encarecerá a recuperação. O custo estimado da reconstrução supera 500 bilhões de euros na próxima década, segundo uma avaliação conjunta do governo ucraniano, UE, Banco Mundial e ONU.
Militarmente, o conflito evoluiu de movimentos de manobra para uma guerra de atrito: avanços lentos, ganhos territoriais marginais e um desgaste contínuo de pessoal e material. A presença omnipresente de drones e a necessidade de redes anti‑drone até em estradas secundárias evidenciam a modernização tática e a adaptação logística em ambiente de conflito assimétrico.
Hoje, a Rússia ocupa cerca de 20% do território ucraniano, parcela em que um terço já estava sob controle pró‑russo antes de 2022. No Donbas, as forças russas controlam praticamente toda a região de Luhansk e aproximadamente 83% de Donetsk, consolidando um corredor de influência que redesenha, de forma parcial e forçada, as fronteiras reais no terreno.
Da perspectiva estratégica, assistimos a um jogo lento, de múltiplas camadas — militar, econômica e diplomática — semelhante a uma partida de xadrez em que ambos os lados preservam forças para tentativas decisivas futuras. As sanções, o envio de material bélico ocidental, e a resiliência ucraniana criaram uma difícil conjunção: um impasse que prolonga o sofrimento e eleva os custos da reconstrução.
Em termos práticos, o desfecho exigirá o desenho de um novo equilíbrio de segurança europeu: mecanismos de garantias, verificação de fronteiras e um programa massivo de reconstrução. Sem esse alicerce político‑diplomático, persistirá a tectônica de poder que sustenta a guerra de desgaste.
Conclusão: quatro anos depois, a guerra entre Ucrânia e Rússia é, ao mesmo tempo, uma tragédia humanitária e um desafio sistêmico à estabilidade europeia. A solução não nascerá apenas no campo de batalha, mas na arquitetura de garantias e compromissos que a comunidade internacional for capaz de construir — um movimento decisivo no tabuleiro que ainda está por vir.






















