Nas últimas semanas, Cuba voltou a ocupar lugar central no tabuleiro geopolítico internacional. Um movimento decisivo do comando norte-americano aponta para um reforço das medidas punitivas com o objetivo explícito — e antigo — de provocar uma mudança de governo a curto prazo. Essa estratégia, retomada pela administração Trump, redesenha fronteiras invisíveis de influência e acirra a
tensão entre poder, resistência e sofrimento civil.
Os enviados da Rai, Veronica Fernandes e Giammarco Sicuro, aprofundam o tema no programa MappaMondi com o professor Federico Nastasi, economista da Universidade da Cidade do México. O diálogo expõe as consequências práticas das decisões emanadas da Casa Branca, em particular o impacto imediato de novas sanções sobre importações, remessas familiares e a já frágil capacidade de prover serviços básicos na ilha.
Do ponto de vista econômico, explica Nastasi, as sanções atuam como um aperto sucessivo sobre os alicerces frágeis da economia cubana: combater redes comerciais, restringir o acesso a dólares e pressionar parceiros internacionais. Na linguagem da arquitetura da ordem mundial, trata-se de remover elementos estruturais que garantiam alguma margem de manobra para o regime — um movimento que busca acelerar o desgaste e criar condições políticas internas favoráveis a um colapso controlado.
No entanto, a política de pressão tem um custo humano concreto. A população civil, já comprimida entre a repressão estatal e as dificuldades cotidianas, passa a viver uma escalada de escassez: medicamentos, alimentos, combustíveis e serviços essenciais tornam-se bens de risco. A consequência previsível é uma crise humanitária que se aprofunda à medida que o barril de sanções rola pelo tabuleiro.
Como analista, observo que decisões deste tipo são sempre jogadas de Realpolitik: têm por objetivo alterar o cálculo de elites internas e externos, forçando rearranjos de lealdade. Mas a cartografia do poder mostra que, quando se mexe na economia de um país-ilha, as ondas reverberam além das suas águas territoriais — afetam rotas migratórias, fluxos regionais e até alianças estratégicas em âmbito hemisférico.
O encontro promovido por MappaMondi também recapitula a presença do formato nas redes: as edições anteriores estão disponíveis nas stories em destaque no perfil Instagram, e desde 2025 o formato ampliou-se para o YouTube e como podcast em RaiPlaySound. A proposta editorial mantém-se: conversationes sóbrias, com especialistas que desconstroem narrativas e reconstruem cenários possíveis, sem panfletarismo e com olhar de longo prazo.
Em suma, a nova ofensiva de Trump sobre Cuba é um movimento calculado no grande tabuleiro — busca resultados políticos rápidos, ao custo de uma maior instabilidade social. Compreender essa jogada exige atenção às peças menores: condições econômicas, fluxos humanitários e as reações regionais. A tensão permanece, e a diplomacia, por ora, precisa redesenhar tanto rotas de contenção quanto corredores humanitários para evitar que o desgaste político se converta numa catástrofe para a população.
Veronica Fernandes e Giammarco Sicuro. Entrevista com Federico Nastasi. Programa MappaMondi — RaiNews.it.






















