Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha peças no tabuleiro geopolítico, o presidente Donald Trump afirmou que o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa foram capturados e removidos do território venezuelano. A declaração, difusa em detalhes operacionais, já desencadeou uma série de reações internacionais, sinais de apoio interno e alertas de escalada.
O relato inicial citado pelo senador republicano Mike Lee, que atribuiu a informação ao secretário de Estado Marco Rubio, diz que “Maduro è stato arrestato e sarà processato in Venezuela” e que a ação teria sido motivada para “proteger e difender aqueles que executavam o mandado de prisão”. O conjunto de comunicações oficiais e extraoficiais, porém, revela contradições — por um lado, afirma-se que haverá processo na Venezuela; por outro, menciona-se imputação por crimes nos Estados Unidos.
Em Roma, o Palazzo Chigi informou que a presidente do Conselho, Giorgia Meloni, acompanha a situação “com atenção”, mantendo contato constante com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, para obter informações sobre cidadãos italianos no país. É uma reação previsível de um Estado que busca proteger seus interesses e nacionais diante de uma movimentação militar estrangeira próxima a uma área de influência.
Do lado russo, o Ministério das Relações Exteriores classificou o ocorrido como uma “aggressão armada” dos Estados Unidos contra a Venezuela, em nota divulgada pelo canal oficial do Kremlin no Telegram. Moscou pediu contenção e diálogo, declarando-se disposto a apoiar negociações entre as partes — uma postura que reforça o eixo de contestação à ação norte-americana e aponta para uma possível polarização diplomática.
Em Washington, o vice‑secretário de Estado Christopher Landau saudou a operação como “uma nova aurora para a Venezuela”, enquanto o próprio presidente Trump prometeu divulgar “detalhes” sobre a operação em breve. A linguagem é de triunfo político e legal, mas deixa em aberto perguntas sobre jurisdição e consequências regionais.
No cenário interno venezuelano, a vice‑presidente Delcy Rodríguez — em sua primeira aparição pública horas após os ataques aéreos atribuídos aos EUA — pediu que Washington apresente provas de que Maduro e sua esposa, Cilia Flores, estariam vivos. Observadores interpretaram o pedido como um reconhecimento tácito de que o líder pode ter sido removido de Caracas. Rodríguez afirmou, em ligação à emissora oficial VTV, que Maduro assinou um decreto de estado de emergência, que prevê a suspensão de garantias constitucionais, e que ela assegurará sua aplicação.
O ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López — objeto de rumores sobre ferimentos ou desaparecimento — apareceu em vídeo afirmando que Caracas não se renderá às forças americanas: “Não negociaremos, não nos renderemos e, ao final, triunfaremos”, declarou em transmissão nacional. Fontes citadas pelo Wall Street Journal também relataram que a vice‑presidente Delcy Rodríguez estaria em segurança.
Em resumo, o que temos é um movimento decisivo no tabuleiro internacional que mistura operações militares, pressões legais transnacionais e uma intensa guerra de narrativas. As declarações oficiais dos Estados Unidos — e sua promessa de revelar mais detalhes — contrastam com a reação de condenação de Moscou e com as medidas de emergência internas decretadas em Caracas. Os próximos passos serão determinantes: um redirecionamento de rotas diplomáticas, sanções adicionais, ou mesmo um prolongamento da conflituosidade regional.
Como analista, recomendo cautela ao interpretar as comunicações oficiais. Em situações de alta tensão, as primeiras mensagens frequentemente servem para consolidar posições e validar movimentos perante aliados e opositores. O real desenlace dependerá da logística — quem controla comprovadamente os centros de poder em Caracas — e da resposta das potências externas. Se essa operação for confirmada em detalhe, estaremos diante de uma tectônica de poder com efeitos duradouros na estabilidade hemisférica.






























