Avanço diplomático no tabuleiro euro-asiático: delegações de Moscou, Kiev e Washington encerraram em Abu Dhabi dois dias de conversações sobre segurança que, conforme fontes norte-americanas citadas pelo portal Axios, incluíram um exame detalhado das exigências russas sobre o Donbass e do status da usina nuclear de Zaporizhzhia. A rodada seguinte está marcada para 1º de fevereiro, sinalizando que os negociadores mantêm o impulso, enquanto os Estados Unidos estariam “não distantes” de viabilizar um encontro entre Putin e Zelensky.
O presidente ucraniano, Zelensky, publicou no X um alerta preciso sobre a intensidade dos ataques russos: “Cada ataque maciço da Rússia pode ser devastador. É por isso que os mísseis para os sistemas de defesa aérea são necessários diariamente”. Na mensagem, o líder de Kiev detalhou números que definem a pressão sobre os céus ucranianos: só nesta semana as forças russas lançaram mais de 1.700 drones de ataque, mais de 1.380 bombas aéreas guiadas e 69 mísseis de diversos tipos.
Em missão oficial na Lituânia, Zelensky afirmou que está coordenando esforços com parceiros regionais, em particular Lituânia e Polônia, e que continua a trabalhar com os Estados Unidos e a Europa para reforçar a proteção do espaço aéreo ucraniano. “Todos devem compreender claramente a ameaça da Rússia“, disse o presidente, agradecendo aos que auxiliam Kiev a manter sua resistência.
Nos Emirados Árabes Unidos, as discussões abordaram—segundo relatos—questões centrais: os requisitos territoriais da Rússia no Donbass com eventual retirada das forças ucranianas, a controvérsia sobre a usina de Zaporizhzhia e as medidas necessárias para uma desescalada bilateral. A natureza técnica e política dessas pautas demonstra que se está tentando desenhar, com cautela, os alicerces de um roteiro de segurança que vá além do imediato.
Do lado russo, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, comentou que os métodos políticos adotados por Donald Trump não se alinham com a linha russa para a formação de um mundo multipolar — uma observação que relembra como o conflito incorpora tensões mais amplas entre visões concorrentes de ordem internacional.
Em paralelo ao teatro das negociações, uma nota esportiva que traça um sutil paralelismo estratégico: as ginastas italianas Sofia Raffaeli, Anna Piergentili e Veronica Zappaterreni realizarão um período de treinamento de duas semanas em Novogorsk, na Rússia, anunciou a Sociedade Gimnástica de Fabriano (Ancona). O retiro técnico, promovido pela treinadora Amina Zaripova e apoiado pela Federação Italiana de Ginástica, tem por objetivo confrontar as atletas com métodos de trabalho distintos e especialistas como o coreógrafo Kirill Barkan. A iniciativa, com suporte institucional das federações italiana e russa e das Fiamme Oro, busca ampliar o repertório técnico e artístico das competidoras, continuidade do trabalho iniciado com a coreógrafa Irina Zenovka.
Como analista, observo que o conjunto dessas movimentações não é acidental: há um reajuste de peças num tabuleiro onde a proteção de infraestruturas críticas (energia, centrais nucleares) e a superioridade aérea são hoje os centros de gravidade. A marcação cuidadosa entre avanços diplomáticos — próximo round em 1º de fevereiro — e o reforço militar e técnico no terreno traduz a tática clássica da diplomacia moderna: preparar a defesa enquanto se negocia. Se os sinais dos Estados Unidos indicam abertura para aproximar um encontro entre Putin e Zelensky, trata-se de um movimento decisivo que pode redesenhar fronteiras invisíveis de influência, mas que exige, antes de tudo, garantias concretas para evitar rupturas indesejadas.
O futuro imediato permanece frágil. A combinação entre pressões militares — evidenciada pelos números de drones e mísseis — e as conversações multilaterais em Abu Dhabi delineia uma fase de tectônica de poder: deslocamentos lentos, porém potenciais de impacto amplo. A vigilância diplomática e a cooperação técnico-militar com parceiros europeus e transatlânticos serão determinantes nas próximas semanas.





















