Por Marco Severini — Em um movimento que altera a tectônica de poder na América Latina, o presidente argentino Milei comemorou publicamente a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, enquanto aliados regionais reagiam com condenações e pedidos de mobilização internacional.
Em sua conta na plataforma X, o chefe de Estado argentino escreveu apenas: “Viva la Libertad“, celebrando a notícia sobre a detenção de Maduro. A mensagem curta, porém carregada de intenção política, funciona como um lance no tabuleiro: visível, definitivo, e voltado a realinhar posições regionais.
Do lado oposto do tabuleiro, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, relatou em X que “Caracas está sob bombardeio neste momento” e pediu urgência: “Alertem o mundo: o Venezuela foi atacado! Estão bombardeando com mísseis. A Organização dos Estados Americanos e a ONU devem se reunir imediatamente”. A invocação de Petro é uma tentativa de deslocar a disputa para o campo multilateral, onde a legalidade e a legitimidade podem ser debatidas e contestadas.
Cuba, parceiro estratégico de longa data do regime de Caracas, saiu em defesa de Maduro. O ministro das Relações Exteriores de Havana, Bruno Rodríguez, qualificou a operação norte-americana como um “ataque criminoso” e solicitou uma reação “imediata” da comunidade internacional. A retórica cubana deixa claro que para Havana a ação equivale a uma agressão externa à chamada “zona de paz” latino-americana, ameaçando abrir outro frente de tensão em uma região já marcada por fragilidades diplomáticas.
Do ponto de vista da geopolítica, estamos diante de um movimento que pode redesenhar fronteiras invisíveis de influência. A captura de um presidente em exercício, se confirmada em suas motivações e autoria, transforma-se em um lance de alto risco: assume caráter de ação militar transnacional com consequências legais, humanitárias e estratégicas.
É preciso observar três vetores essenciais: a) a resposta institucional multilateral — se ONU e OEA conseguirão vincular-se a um arbitragem de crise; b) a escalada militar e o risco de contaminação regional, com aliados como Cuba reagindo politicamente; c) o movimento político interno na Venezuela, onde a prisão de Maduro pode gerar vácuo de poder ou resistência organizadas.
Como analista, conclamo cautela: notícia de tamanha gravidade pede confirmação e clareza sobre os agentes envolvidos, o quadro jurídico invocado e as possíveis trajetórias de escalada. No tabuleiro da diplomacia, manobras aparentemente decisivas exigem alicerces sólidos para não provocar desarranjos maiores.































