Israel ataca bases do Hezbollah no Líbano; Canadá retira funcionários de Tel Aviv
Por Marco Severini — Em um movimento que altera peças importantes no tabuleiro regional, o Exército israeliano anunciou ataques contra posições do movimento xiita pró-iraniano Hezbollah no sul do Líbano. A ação, comunicada pelos militares via Telegram, foi justificada como uma resposta a repetidas violações de acordos de cessar-fogo por parte do grupo.
No campo diplomático, o Canadá informou ter transferido temporariamente o pessoal diplomático não essencial e seus familiares para fora de Tel Aviv, citando as “persistentes tensões na região”. A nota oficial canadense ressalvou, contudo, que a embaixada permanece aberta e que os funcionários e familiares no Líbano e na Palestina continuam nas suas posições, com as missões a funcionar normalmente.
Em paralelo, relatos indicam que os Estados Unidos estão avaliando a opção de um ataque ao Irã, sinal que adiciona uma camada de risco estratégico. Essa combinação de pressões militares e decisões diplomáticas configura uma tectônica de poder em movimento, onde cada intervenção pode redesenhar fronteiras invisíveis de influência.
Do ponto de vista militar, a nota do Exército israeliano descreve os alvos como “infraestruturas terroristas” do Hezbollah no sul do Líbano, em resposta a violações do cessar-fogo. A escolha de comunicar via canais oficiais e públicos tem, além de objetivo informativo, uma função preventiva: moldar percepções e sinalizar capacidades e limites — um movimento clássico em qualquer partida de xadrez estratégico, em que o anúncio de uma jogada pode ser tão determinante quanto a própria execução.
Para analistas da estabilidade regional, trata-se de um alerta quanto à fragilidade dos alicerces diplomáticos que sustentam uma paz por ora precária. A retirada parcial de pessoal diplomático por parte do Canadá é um gesto técnico, porém carregado de significado político: indica um recalibrar de prioridades e uma preocupação concreta com a segurança de civis e representantes.
Ao mesmo tempo, a menção de Washington a opções contra o Irã amplia o espectro de risco, pois introduz no tabuleiro a possibilidade de escalada que extrapola o teatro libanês-israelense e pode mobilizar alianças e contrapesos em vários eixos regionais.
Em suma, a região assiste a um movimento decisivo no tabuleiro geopolítico: ações militares localizadas, ajustes diplomáticos e ponderações estratégicas de potências extrarregionais convergem para uma fase em que a antecipação e o cálculo frio se tornam imperativos. Os próximos dias serão cruciais para perceber se estamos diante de um episódio pontual ou do início de um redesenho mais profundo das linhas de influência no Oriente Médio.
Marco Severini — Espresso Italia






















