O Exército de Defesa de Israel (IDF) declarou ter realizado um “ataque preciso” no Norte de Gaza, destruindo um lançador de foguetes que estava “carregado e pronto para lançamento” em direção ao Sul de Israel. Segundo o relato do jornal Haaretz reproduzido pelas forças israelenses, o dispositivo estava alojado dentro de um “poço do Hamas” e teria sido “utilizado e equipado pelo Hamas após a entrada em vigor do acordo de cessar-fogo”, o que, na avaliação das autoridades militares, configura uma “pública violação do cessar-fogo”.
Na cena internacional, o secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou-se “fortemente preocupado” com a decisão do governo israelense de suspender as atividades de várias organizações internacionais não governamentais nos territórios palestinos ocupados. A declaração foi divulgada pelo porta-voz Stephane Dujarric. Guterres exige que as medidas sejam revertidas e lembra que as ONGs são essenciais para a resposta humanitária: a suspensão, segundo ele, pode minar o frágil avanço obtido com o cessar-fogo.
O comunicado da ONU ressalta que precedentes de restrições já tinham retardado o envio de alimentos, medicamentos, material de higiene e abrigo destinado à população de Gaza. A nova iniciativa, alerta o secretário-geral, tende a agravar a crise humanitária que castiga os civis palestinos. Em conformidade com os alicerces do direito internacional, Guterres sublinha que Israel deve permitir e facilitar a passagem rápida e sem obstáculos dos ajuda humanitária para todos os civis e garantir que os operadores humanitários atuem em segurança e de acordo com princípios humanitários.
No plano doméstico israelense, milhares de cidadãos se reuniram em Tel Aviv, exigindo a criação de uma comissão de inquérito independente sobre os eventos de 7 de outubro de 2023. Os manifestantes acusam o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de não assumir a responsabilidade pelo ataque liderado pelo Hamas que desencadeou a atual guerra em Gaza. Entre as reivindicações está o retorno dos restos do último refém israelense, o policial Ran Gvili, ainda não entregue por autoridades ou grupos em Gaza. A recuperação desses restos é apontada como condição central para um plano de mediação apoiado pelo governo dos Estados Unidos, que busca estabilizar a região.
Em outra frente diplomática, Israel saudou a “operação dos Estados Unidos” na Venezuela, liderada — segundo nota do governo — pelo presidente Trump. O ministro das Relações Exteriores, Gideon Sa’ar, escreveu no X que, neste momento histórico, “Israel se posiciona ao lado do povo venezuelano amante da liberdade, que sofreu sob a tirania ilegal de Maduro”.
Como repórter político investigativo, atuando como ponte entre as decisões de Roma e a vida prática dos cidadãos, observo que os recentes episódios mostram a fragilidade dos pactos que deveriam servir de alicerce para a proteção civil: um lançador pronto para uso coloca em risco o cessar-fogo, enquanto restrições administrativas aos operadores humanitários ameaçam a entrega de socorro. A situação exige respostas claras e medidas que priorizem a segurança das populações — a construção de direitos não pode ser substituída pelo peso da caneta em declarações políticas.































