O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, apelou formalmente a Israel para que revogue a decisão de proibir 37 organizações não governamentais internacionais de operar na Faixa de Gaza. Em comunicado divulgado pelo porta-voz Stéphane Dujarric, Guterres manifestou-se “profundamente preocupado” com a suspensão das atividades dessas ONGs, consideradas pela comunidade internacional como prestadoras de auxílios vitais à população civil.
Segundo o relato oficial, o bloqueio às organizações humanitárias ameaça comprometer os já frágeis progressos alcançados durante o período do cessar-fogo. O secretário-geral sublinhou que a presença dessas entidades é indispensável para a prestação de serviços de emergência, distribuição de alimentos, assistência médica e apoio a deslocados internos.
O apelo ocorre ao mesmo tempo em que o cenário político diplomático discute a possível reabertura do posto fronteiriço de Rafah. Fontes próximas ao governo israelense afirmam que as forças de segurança aguardam uma diretiva política — após consultas entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — para restabelecer o trânsito em ambas as direções. A retomada do fluxo através de Rafah poderia facilitar a chegada de bens e pessoas, mas a exclusão de atores humanitários importantes pode anular os potenciais benefícios humanitários dessa iniciativa.
Para garantir a segurança nacional, o governo israelense planeja manter um controle rigoroso sobre o lado palestino do posto, por meio de um ponto de inspeção dedicado. Ainda não está definido se esse controle será exercido por unidades militares presentes no local ou por sistemas de vigilância tecnológica, mas a intenção declarada é monitorar de forma minuciosa cada passagem.
Essa postura de cautela tem respaldo em investigações recentes do Shin Bet, que apontaram suspeitas de desvios financeiros e de ajuda humanitária para o fortalecimento militar do grupo Hamas. As conclusões dessas apurações alimentam o receio de que assistência e recursos destinados à população civil possam, parcial ou integralmente, ser apropriados para fins bélicos.
Enquanto isso, as forças de segurança israelenses se preparam para eventuais mudanças operacionais no sul da Faixa de Gaza. Reportagens, incluindo apuração da emissora Channel 12, indicam que chefes militares e policiais aguardam ordens políticas para proceder com a reabertura do posto de Rafah em ambos os sentidos — uma medida que, segundo fontes, pode ser implementada nos próximos dias, dependendo das decisões políticas em curso.
Em suma, a disputa atual coloca em tensão as prioridades humanitárias e de segurança: de um lado, a necessidade urgente de restaurar e ampliar o acesso de auxílio a civis em Gaza; do outro, a cautela israelense diante de riscos de desvio de recursos para atores armados. Guterres insiste que a revogação da proibição é crucial para impedir um agravamento das condições de vida da população afetada.































