Por Marco Severini — La Via Italia
Fontes jornalísticas e diplomáticas confirmam que um **raid** militar dos **EUA** contra o **Irã** esteve pronto para ser lançado na quarta‑feira, 14 de janeiro de 2026, mas o comando final nunca foi emitido. A ordem de preparo foi solicitada por **Donald Trump**, que, em última instância, acabou por não ordenar a ação. Segundo relatos, pesaram tanto limitações operacionais quanto pressões políticas regionais.
O Wall Street Journal e outras agências relatam que oficiais americanos aguardavam a autorização para um ataque durante a noite que antecedeu o dia 14, mas o despacho definitivo não chegou. Entre os fatores decisivos apontam‑se: a **falta de assetes militares** adequados posicionados na região, preocupações quanto às consequências estratégicas sobre a estabilidade regional e o forte **pressing de Israel** e de diversos Estados árabes.
Enquanto navios e aeronaves foram posicionados no teatro médio‑oriental — inclusive o esperado deslocamento do porta‑aviões USS Lincoln —, a administração norte‑americana manteve posições divergentes sobre a real probabilidade de um ataque causar o colapso do regime de **Teerã**. Oficiais deduziram que um ataque direto poderia não apenas falhar em seu objetivo de provocar mudança imediata de regime, como também alargar e prolongar o conflito.
Nos bastidores, foi também aventada a hipótese de que a conjunção de ações clandestinas e pressões abertas atuaria como instrumento para incentivar protestos internos contra a liderança iraniana. Fontes citadas pelo nosso veículo sugerem que atores de inteligência ocidentais e israelenses contemplariam um desfecho em que a saída de Ali Khamenei fosse negociada — eventualmente com exílio em solo russo — como solução de compromisso para evitar o colapso estatal imediato.
Em declaração pública de mitigação, o próprio **Trump** afirmou que “se autoconvenceu a não o fazer”. Esta fórmula — ao mesmo tempo tautológica e estratégica — encaixa‑se numa lógica de cálculo político: empurrar Teerã psicológica e militarmente, sem precipitar um confronto de consequências abertas e imprevisíveis.
Do ponto de vista da geopolítica estratégica, estamos diante de um movimento que exige leitura em múltiplos planos. Militarmente, o anúncio e a concentração de forças funcionam como um lance no tabuleiro, projetando dissuasão e imposição de custos. Diplomática e politicamente, cria‑se uma cortina de opções que amplia o leque de negociações e pressões sobre aliados e adversários.
Esta hesitação operacional — explicada por insuficiências de **capacidade aérea** e naval na região — revela, sobretudo, um desenho de poder frágil onde qualquer ataque direto poderia redundar num redesenho de fronteiras invisíveis e numa tectônica de poder difícil de controlar. A administração americana, portanto, preferiu manter a mobilização como instrumento de influência, sem cruzar o limiar que poderia desencadear uma escalada irreversível.
Em suma, o incidente de 14 de janeiro deve ser interpretado como um movimento deliberado de pressão estratégica: um lance cauteloso no tabuleiro global, com vistas a obter espaço para manobra política, sem, por ora, comprometer os alicerces da diplomacia tradicional.






















