As tensões na frente oriental mantêm-se elevadas, com episódios recentes que ampliam o impacto sobre civis e infraestruturas. Segundo o prefeito de Moscou, drones ucranianos — 24 no total — foram abatidos pelo sistema de defesa antiaérea enquanto se dirigiam à capital russa. Fontes russas e ucranianas também reportaram o fechamento temporário de aeroportos moscovitas durante as operações.
No sudoeste da Rússia, a região de Kursk sofreu efeitos diretos: o governador local, Alexander Khinshtein, informou que mais de 11 mil moradores ficaram sem energia após um ataque com drones ucranianos às instalações energéticas no vilarejo de Khomutovka.
Do lado ucraniano, a segunda maior cidade do país voltou a contabilizar vítimas civis. O prefeito de Kharkiv, Ihor Terekhov, confirmou que o ataque russo de sexta-feira elevou para cinco o número de mortos. A tragédia ressalta o peso da guerra sobre a vida cotidiana: cada projétil e cada decisão deixam alicerces de dor entre serviços essenciais e famílias.
Em um comunicado com forte tom estratégico, o Ministério da Defesa da Rússia reivindicou a conquista de Podoly, uma localidade de cerca de 2.500 habitantes próxima ao aeroporto de Kupiansk, na região de Kharkiv. Contudo, o projeto de mapeamento Deep State — parceiro das forças ucranianas — em sua atualização mais recente não confirmou esse avanço, indicando que Podoly permanece a 4–5 km das zonas efetivas de combate.
Movimentos de resistência e inteligência também aparecem nas análises de campo. O movimento partigiano Atesh observou um aumento das medidas de camuflagem e segurança em importantes instalações logísticas russas, incluindo o porto de Novorossiysk, no Mar Negro. Relatos citados pelo RBC-Ukraine descrevem um perímetro coberto com redes de camuflagem e tráfego intenso de caminhões militares, causando congestionamentos nas vias civis próximas — sintoma de um esforço russo para ocultar movimentações e preservar recursos navais.
Na esfera da inteligência, desenha-se uma transição relevante: Kirill Budanov, até então chefe do Departamento de Inteligência do Ministério da Defesa da Ucrânia (HUR), foi apontado para novo posto no Gabinete Presidencial. Roman Kostenko, secretário da comissão parlamentar de segurança, afirmou que Budanov deixou um sistema consolidado, capaz de manter operações eficientes mesmo após sua mudança de cargo. Para lhe suceder na HUR foi nomeado o general Oleg Ivanovich Ivashchenko, descrito como um profissional de inteligência militar com larga experiência no serviço.
Como repórter que atua como ponte entre as decisões de poder e a vida real das pessoas, observo que estes episódios são mais que movimentações militares: são decisões que alteram o cotidiano, a segurança e a infraestrutura de regiões inteiras. A arquitetura do conflito continua a evoluir, e a construção de direitos básicos — eletricidade, transporte e proteção civil — segue ameaçada pelo peso da caneta nas decisões estratégicas.































