Por Marco Severini, Espresso Italia.
Uma sequência de ataques russos durante a noite deixou, segundo autoridades ucranianas, uma pessoa morta e 23 feridas nas regiões de Kiev e Kharkiv. O episódio ocorre no mesmo dia em que delegações permanecem em negociações de paz em Abu Dhabi, um contraste explícito entre a diplomacia em curso e a persistente tensão no terreno.
As autoridades militares de Kiev mantiveram o país em estado de alerta aéreo diante da detecção de drones e mísseis balísticos. O município declarou que “Kiev está sob um massivo ataque inimigo“, convocando a população a permanecer em abrigos. O prefeito Vitali Klitschko utilizou o Telegram para reforçar o chamado: “Não abandonem os abrigos”. Segundo seus informes, em Kiev capital uma pessoa foi morta e quatro ficaram feridas — três delas hospitalizadas — e incêndios deflagraram após impactos de destroços de drones, prejudicando também serviços essenciais como aquecimento e abastecimento de água em áreas da cidade.
Além da capital, a autoridade militar regional relatou mais quatro feridos em áreas mais amplas da região de Kiev. Ao mesmo tempo, a frente oriental voltou a ser palco de ataques: o prefeito de Kharkiv, Igor Terekhov, informou que ataques com drones Shahed de fabricação iraniana atingiram prédios residenciais próximos à fronteira com a Rússia. A polícia publicou que os ataques em Kharkiv feriram 15 pessoas e danificaram duas estruturas médicas.
Do ponto de vista estratégico, tratou-se de um movimento calculado no tabuleiro: ataques simultâneos contra centros urbanos e infraestruturas que, além de causar vítimas, visam desgastar a capacidade logística e moral do adversário, criando pontos de pressão mesmo enquanto emissários se sentam para negociar. É a tectônica de poder em ação, onde cada impacto no terreno busca redesenhar fronteiras invisíveis de influência.
As autoridades locais seguem respondendo com equipes de emergência, combate a incêndios e restauração dos serviços interrompidos. Investigações e levantamentos de danos foram iniciados para documentar feridos, vítimas e prejuízos materiais.
Em Abu Dhabi, as conversações prosseguem em um ambiente que, apesar das intenções diplomáticas, convive com a frieza dos fatos militares: a simultaneidade de mesas de negociação e de ataques no terreno sublinha a complexidade do conflito e a dificuldade de estabelecer alicerces duradouros para a paz.
Enquanto isso, a recomendação das autoridades permanece inalterada: manter-se abrigado e seguir as orientações oficiais até que o alerta seja encerrado. O episódio reforça a necessidade de uma estratégia política robusta e de mecanismos de proteção civil eficazes para mitigar os efeitos de um conflito cuja dinâmica continua imprevisível.
Marco Severini – Espresso Italia






















