Por Marco Severini — Um conjunto de eventos técnicos e militares desenhou hoje um movimento tenso no tabuleiro estratégico da região. Uma pane nas interconexões elétricas internacionais provocou um apagão em amplas áreas da Ucrânia, forçando a suspensão do tráfego da metropolitana de Kiev e expondo fragilidades críticas na infraestrutura civil em tempo de conflito.
O enviado do Kremlin e chefe do Fundo Russo de Investimentos, Kirill Dmitriev, chegou a Miami para reuniões com representantes da administração dos Estados Unidos, segundo divulgou o próprio Dmitriev em uma publicação na plataforma X, que incluiu imagens do avião aproximando-se da costa da Flórida. A movimentação diplomática ocorre em paralelo a episódios militares e a problemas técnicos que afetam a retaguarda ucraniana.
O Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia informou que suas unidades realizaram uma série de ataques contra objetivos militares inimigos, tanto em territórios ocupados quanto em solo russo. Entre os alvos atingidos, foram destacados: um sistema terra-ar Tor-M1, postos de comando de drones, depósitos de suprimentos e concentrações de tropas nas regiões de Luhansk, Zaporizhia e Donetsk. Ainda foi reportado o impacto a um posto de comando de drones próximo à localidade de Sluchovsk, na região russa de Bryansk. Essas ações configuram um ritmo operacional que, do ponto de vista estratégico, visa degradar a cadeia de comando e reabastecimento do adversário.
Paralelamente, a rede elétrica ucraniana sofreu interrupções significativas. Segundo informações transmitidas pelo primeiro‑ministro Denys Shmyhal em sua conta no Telegram, ocorreu às 10h42 (horário local) um “malfunzionamento técnico” que provocou a desativação simultânea da linha de 400 kilovolt entre as redes da Romênia e da Moldávia e da linha de 750 kilovolt que liga o oeste ao centro da Ucrânia. O resultado foi um apagão em cascata, associado à ativação dos dispositivos automáticos de proteção nas subestações.
Em Kiev, o prefeito Vitali Klitschko comunicou que as estações da metropolitana foram temporariamente fechadas devido à baixa tensão na rede. Segundo Klitschko, as estações subterrâneas mantêm capacidade limitada para funcionar como abrigos, contando com fontes de energia de reserva em pontos específicos, mas o tráfego ferroviário foi interrompido em todas as linhas e as escadas rolantes permaneceram desligadas.
Os relatos da emergência energética sublinham dois vetores de risco: a vulnerabilidade das infraestruturas interdependentes em um teatro de guerra e a possibilidade de interrupção de serviços essenciais que afetam civis e logística militar. Em nota, as autoridades técnicas destacaram que o problema inicial provocou um efeito dominó, típico de sistemas elétricos fortemente interconectados.
Há também menções, em fontes abertas, de que forças russas conseguem adquirir receptores do sistema Starlink, o que amplia o espectro de preocupações sobre comunicações no campo de batalha. Essas informações, contudo, permanecem em verificação e devem ser tratadas com cautela até confirmação adicional.
Do ponto de vista geopolítico, os movimentos simultâneos — deslocamento diplomático de Moscou a Washington, operações ofensivas ucranianas em pontos sensíveis da linha de frente e o colapso temporário da infraestrutura elétrica — lembram a mecânica de um jogo de xadrez em que cada lance técnico ou logístico tem reflexos imediatos na capacidade de projeção de poder. A tectônica de influência na região segue sendo remodelada por ações que vão além do campo militar imediato, atingindo alicerces civis essenciais à resiliência do Estado.
Enquanto as equipes técnicas trabalham para restabelecer o fornecimento e as autoridades avaliam os danos, permanece a incerteza sobre próximos desdobramentos operacionais e diplomáticos. Em um tabuleiro onde tudo está interconectado, os próximos movimentos determinarão se essas falhas serão pontuais ou o início de uma nova fase de pressão sobre a capacidade ucraniana de sustentar o esforço nacional.






















