Fortes explosões, acompanhadas por sons semelhantes a aeronaves em baixa altitude, foram registradas por volta das 2h da madrugada (7h no horário de Brasília) em Caracas e em áreas próximas da capital venezuelana. Agências de imprensa internacionais e moradores relataram ao menos sete detonações e ruídos de jatos a baixa altitude sobre a cidade.
Um italiano residente no país informou à agência Ansa que “os bombardeios sobre Caracas cessaram às 4h da manhã (hora local): há cerca de uma hora não se ouvem mais os ruídos dos jatos militares, que atuaram por cerca de duas horas”. As ações, segundo relatos iniciais do blitz, teriam se concentrado em instalações militares, especialmente na capital e nas regiões vizinhas. Até o momento não há confirmações oficiais sobre mortos ou feridos.
Na semana anterior, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia deslocado uma flotilha naval para o Caribe e mencionado a possibilidade de operações terrestres contra o Venezuela, afirmando que os dias do presidente Nicolás Maduro estariam “contados”. Em reação aos eventos desta madrugada, o governo venezuelano qualificou os ataques como uma “gravíssima agressão militar”.
O Executivo venezuelano anunciou a ordem de “desdobramento do comando para a defesa integral da nação”, declarou estado de emergência e pediu a mobilização da população. Em comunicado divulgado no canal oficial do ministro das Relações Exteriores, Iván Gil, a República Bolivariana do Venezuela “repudia, denuncia e comunica à comunidade internacional a flagrante agressão militar cometida pelo atual governo dos Estados Unidos contra o território e a população venezuelana nas áreas civis e militares de Caracas e dos estados de Miranda, Aragua e La Guaira”.
O texto oficial ressalta ainda que a ação constitui uma violação da Carta das Nações Unidas, em especial dos artigos 1 e 2, que garantem o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e o veto ao uso da força. O governo venezuelano alerta que a agressão ameaça a paz e a estabilidade na América Latina e no Caribe e põe em risco a vida de milhões de pessoas.
Relatos não confirmados por autoridades indicam que a residência do ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López, teria sido atingida durante os raid aéreos. As informações ainda são preliminares e não há balanço oficial consolidado sobre danos materiais ou vítimas.
As reações internacionais ainda se desenrolam: governos e organismos multilaterais acompanham o desenrolar dos acontecimentos e pedem informações e averiguações sobre a autoria e a extensão dos ataques. Autoridades venezuelanas convocaram a população para permanecer alerta e instruíram forças de segurança a reforçar a defesa de pontos estratégicos.
O episódio marca uma grave escalada nas tensões entre Venezuela e Estados Unidos, que vinham se acirrando desde declarações e movimentações militares no Caribe nas últimas semanas. A situação permanece fluida, com possíveis desdobramentos diplomáticos e militares nas horas seguintes.































