EUA e Irã: ultimato, negociações em Omã e o risco de um movimento decisivo no tabuleiro
Por Marco Severini — Espresso Italia
O clima de tensão no Oriente Médio permanece elevado, mesmo após rodadas de conversas indiretas realizadas em Omã. Fontes de inteligência e analistas próximos ao chamado deep state apontam para a possibilidade de um ataque dos EUA contra o Irã num horizonte de aproximadamente uma semana. Trata-se de um cenário em que o tempo e a percepção estratégica funcionam como peças em um jogo de xadrez — cada movimento prepara ou evita um xeque-mate político.
Segundo relatos, a administração de Washington estuda emitir um ultimato a Teerã com exigências que vão além do nuclear: suspensão do programa de enriquecimento, interrupção da produção de mísseis balísticos, cessação do financiamento a grupos proxy na região e até restrições a laços comerciais com a China. A mensagem é clara — sem acordo, a alternativa seria um salto para a coerção militar.
Paralelamente aos sinais militares e diplomáticos, surgem indícios de operações políticas nos bastidores. Funcionários da Casa Branca teriam se reunido recentemente, na Flórida, com lideranças da oposição iraniana ao aiatolá Ali Khamenei, sondando a viabilidade de um regime-change interno e as condições para um possível insucesso ou sucesso de tal mudança após um eventual ataque.
Nas mesas de negociação em Omã, a oferta americana inclui limitações no enriquecimento de urânio por um período — denunciado por Teerã como temporário e vulnerador de seus direitos — e a transferência de estoques nucleares para curtos prazos. O enviado iraniano, Seyed Abbas Araghchi, repetiu o núcleo da posição de Teerã: qualquer debate aceitável deve enquadrar-se no direito iraniano a um programa nuclear pacífico e requer, em contrapartida, a remoção substantiva de sanções e garantias verificáveis. Ponto não negociável para o Irã permanece a soberania sobre capacidades defensivas, notadamente o programa de mísseis, e a liberdade de manutenção de suas alianças regionais.
Do lado israelense, o impulso por uma ação mais contundente contra Teerã continua sendo um fator de pressão. Tel Aviv vê na possibilidade de limitar o alcance nuclear e as linhas de abastecimento de tecnologia-militar iraniana uma questão existencial, e tem pressionado Washington por opções mais duras. No tabuleiro da diplomacia, Israel atua como um bispo que move-se em diagonais estratégicas para influenciar decisões de grande alcance.
Além disso, as demandas norte-americanas incluem a interrupção da transferência de armas e know-how para atores regionais — citados com frequência: Hamas em Gaza, Hezbollah no Líbano e os Houthi no Iêmen. Esta tentativa de cercear a projeção iraniana é tanto militar quanto econômica e diplomática: um esforço por redefinir as fronteiras invisíveis da influência regional.
É imperativo ler esses movimentos à luz de uma tectônica de poder que mistura dissuasão, chantagem diplomática e alternativas de política interna. A hipótese de um ataque não deve ser tratada apenas como um ato isolado; é parte de um conjunto de instrumentos que vão da sanção até a mudança de regime. Em cada passo, as consequências para a estabilidade regional e global são profundas — alterando rotas comerciais, alianças estratégicas e a arquitetura de segurança do Golfo.
Como analista, registro que há uma fragilidade nos alicerces da diplomacia contemporânea: acordos que carecem de garantias duradouras e pressões que produzem reações potenciais em cadeia. O risco calculado por Washington, caso efetivado, poderia redesenhar cenários de longo prazo, mas também abrir janelas de incerteza difícil de controlar.
Nos próximos dias, o mundo observará se prevalecerá a língua da negociação restrita — com verificação e concessões limitadas — ou se o tabuleiro dará lugar a movimentos militares que transformarão o equilíbrio de poder no Oriente Médio.






















