Por Marco Severini — Em um movimento que altera a configuração do tabuleiro estratégico no Mediterrâneo, a USS Gerald R. Ford entrou no Mar Mediterrâneo, ampliando a capacidade de projeção de força dos Estados Unidos numa região já fortemente militarizada em resposta a potenciais ações contra o Irã.
Fontes oficiais americanas indicam que Washington mantém atualmente 13 navios de guerra na área do Oriente Médio: uma porta-aviões — a USS Abraham Lincoln —, nove cacciatorpediniere (destróieres) e três littoral combat ships. A chegada da Ford, a maior porta-aviões em serviço, foi registrada enquanto a esquadra atravessava o Estreito de Gibraltar, numa fotografia divulgada na última sexta-feira. A nova embarcação segue acompanhada por três destróieres e, quando assumir sua posição, elevará o total de navios de guerra norte-americanos na região para 17.
Ter duas porta-aviões simultaneamente no teatro é um deslocamento notável: ambas embarcações transportam milhares de marinheiros e dotam a presença americana de dezenas de aeronaves de combate embarcadas, reforçando uma capacidade de ação imediata que poucos teatros permitem. Além dos aviões embarcados, relatórios de inteligência de fontes abertas e rastreamento de voos identificaram o deslocamento para a região de dezenas de aeronaves adicionais, entre as quais os caças furtivos F-22 Raptor e F-35 Lightning, os convencionais F-15 e F-16, e os reabastecedores em voo KC-135, essenciais para sustentação operacional.
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos vêm reforçando as defesas aéreas terrestres e apostando nos numerosos destróieres lançadores de mísseis como plataforma de defesa antiaérea e de apoio naval. Apesar de não haver expectativa pública de emprego de forças terrestres em operações ofensivas contra o Irã, é inegável que dezenas de milhares de militares americanos estacionados em bases regionais permanecem como potenciais alvos numa lógica de retaliação.
No mês de junho de 2025, após ataques norte-americanos a três instalações nucleares iranianas, Teerã lançou mísseis contra uma base americana no Catar — interceptados pelas defesas aéreas — demonstrando a fragilidade dos alicerces diplomáticos e a rapidez com que um conflito regional pode escalar. Em termos de geopolítica, este acúmulo de meios traduz um movimento decisivo no tabuleiro: presença para dissuadir, ao mesmo tempo em que preserva opções de coerção.
Como analista, observo que este redesenho de capacidades ao redor do Irã representa mais que um simples aumento de ativos; é um ajuste da arquitetura de poder entre estrelas e estradas marítimas. A tectônica de influência está em movimento — e cada deslocamento naval, cada esquadrilha aérea, esculpe fronteiras invisíveis que podem definir a próxima fase da diplomacia ou da escalada.
Em suma, a entrada da USS Gerald R. Ford no Mar Mediterrâneo é um claro sinal de que os Estados Unidos preferem manter uma postura de superioridade multidimensional no teatro. Resta aos atores regionais e globais calcular a melhor resposta para evitar que a tensão se transforme em catástrofe estratégica.






















