Marco Severini – Em um movimento que redesenha peças no tabuleiro geopolítico do Oriente Médio, fontes americanas indicam que o Pentágono está organizando cenários de operações prolongadas contra o Irã, caso o presidente Donald Trump ordene uma ação militar. Ao mesmo tempo, a via diplomática permanece aberta: novos encontros estão marcados para terça-feira em Genebra, com foco no programa nuclear iraniano, nos mísseis balísticos e nas crescentes tensões regionais.
Segundo dois funcionários norte-americanos que falaram sob condição de anonimato, a articulação em curso não prevê um ataque pontual, mas a capacidade de manter uma campanha que pode durar semanas. Diferente da operação Midnight Hammer, de 22 de junho de 2025, concebida como um ataque cirúrgico e limitado, o plano atual contemplaria alvos além das instalações nucleares, incluindo infraestruturas estatais e aparatos de segurança do regime iraniano.
A porta-voz Anna Kelly reiterou que “o presidente Trump tem todas as opções sobre a mesa em relação ao Irã” e que a decisão final será orientada pela segurança nacional dos EUA. O próprio presidente oscilou entre abertura ao diálogo e declarações beligerantes: em discurso às tropas na Carolina do Norte disse que “às vezes é preciso inspirar temor. É a única coisa que realmente resolve a situação” e aventou que uma mudança de regime em Teerã “parece que seria a melhor coisa que pudesse acontecer”.
No tabuleiro estratégico, a pressão militar já se intensificou. Washington deslocou uma segunda unidade de poder naval para a região: o porta-aviões Gerald Ford, acompanhado por esquadrões de caças, destróieres e milhares de militares adicionais. Esse reforço materializa uma escalada de capacidade de projeção de força e aumenta a credibilidade de cenários de intervenção de maior duração.
Enquanto isso, vozes israelenses e regionais pressionam por uma resposta mais contundente. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tem manifestado apoio a medidas mais agressivas, ao passo que a preocupação com o tráfego no Estreito de Hormuz condiciona decisões — inclusive a hipótese, estudada em Washington, de ações sobre embarcações com petróleo iraniano.
Do lado iraniano, o alerta foi imediato. Ali Shamkhani, representante da Liderança Suprema no Conselho de Defesa Nacional, advertiu que “qualquer aventura contra o Irã receberá uma resposta forte, decisiva e proporcional”. Teerã continua a reivindicar capacidade militar significativa e prontidão para reagir, colocando em evidência os alicerces frágeis da diplomacia na região.
O cenário que se perfila é de dupla dinâmica: de um lado, a preparação militar que amplia horizontes operacionais e a sinalização de uma disposição para ações de longa duração; do outro, a mesa de negociações em Genebra, onde temas centrais — programa nuclear, mísseis balísticos e mecanismos de contenção de uma espiral de retaliações — serão debatidos. É uma peça de xadrez em que cada movimentação pode provocar respostas em diversas frentes, redesenhando, por tentativas e erros, a arquitetura de segurança regional.
Como analista com atenção à tectônica de poder, observo que a combinação simultânea de pressão militar e disponibilidade diplomática traduz uma estratégia de máxima versatilidade: manter opções coercitivas enquanto se preserva um canal de mitigação. Resta saber qual será o próximo movimento decisivo — se um recuo calculado em favor da contenção, ou a abertura de uma campanha que mudará, possivelmente por longos meses, os equilíbrios do Oriente Médio.






















