O Bureau of Economic Analysis (BEA) divulgou nesta janela os dados referentes ao terceiro trimestre de 2025, mostrando uma recuperação inesperadamente vigorosa da economia norte-americana. O resultado foi um crescimento do PIB em taxa anualizada de 4,4%, acima das estimativas médias dos analistas (4,3%).
É importante esclarecer a métrica: a taxa anualizada interpola a variação entre dois trimestres — aqui, segundo e terceiro trimestre de 2025 — e projeta o que ocorreria se essa velocidade se mantivesse pelos quatro trimestres do ano. Em termos mais familiares ao padrão europeu, o crescimento do PIB nos três meses foi de cerca de 1,1%, sinalizando uma acelerada do motor econômico no curto prazo.
O principal impulso veio dos consumos internos, que avançaram 3,5% em relação ao trimestre anterior. Essa aceleração do consumo indica que, apesar da elevação dos preços, a demanda doméstica mantém a resistência — uma combinação de mercado de trabalho ainda robusto e acumulação de renda/capital das famílias que segue alimentando gastos. Em linguagem de engenharia macro, houve uma clara aceleração de torque do consumo sobre o motor do PIB.
Por outro lado, a dinâmica de preços acendeu um sinal de atenção: a taxa de inflação saiu de 2,1% para 2,8% no período, enquanto o indicador subjacente (inflação de núcleo) alcançou 2,9%. Esse deslocamento afasta os EUA do objetivo simétrico de 2% e complica a calibragem futura da política monetária.
No cenário político-monetário, persistem duas forças em choque. De um lado, pressões públicas e políticas — inclusive do ex-presidente — por cortes de juros; do outro, o compromisso técnico do Federal Reserve e do Chair Jerome Powell, que tem repetido que tomará decisões baseadas em indicadores. A pressão é ainda mais aguda porque o mandato de Powell se encerra na primavera, acrescentando incerteza à governança do banco central.
Do ponto de vista da estratégia, este quadro exige uma leitura fina: crescimento mais forte com inflação em elevação significa que os formuladores de política terão menos margem para reduzir juros sem risco de reaquecer preços. As próximas decisões do Fed serão sobre como dosar freios e aceleradores — uma calibragem onde a comunicação será tão importante quanto os dados.
Em resumo, os números do terceiro trimestre revelam uma economia que ganhou velocidade, impulsionada por consumo interno e contribuições das exportações, mas que traz como contrapeso uma inflação que voltou a se afastar da meta. Para investidores e gestores, o significado prático é claro: reavaliar exposições à duração, preços e setores sensíveis a taxa; para formuladores, manter a precisão na leitura do painel de dados antes de acionar mudanças na política monetária.
Assino com a experiência de quem acompanha a travessia entre ciclos: Stella Ferrari, economista sênior, Espresso Italia. Uma leitura técnica, com visão de mercado e ênfase em performance.






















