Por Marco Severini — Espresso Italia
Em um movimento que redesenha de forma abrupta e perigosa o tabuleiro geopolítico do Oriente Médio, os Estados Unidos e Israel lançaram uma ampla campanha militar contra o Irã que, segundo anúncios oficiais, resultou na morte da Guia Suprema Ali Khamenei. Os ataques atingiram Teerã e, de acordo com relatos israelenses, teriam atingido e destruído o complexo do líder de 86 anos.
Fontes militares e comunicados de Tel Aviv e Washington informam que o corpo de Khamenei foi recuperado e que evidências de sua eliminação foram apresentadas aos presidentes Donald Trump e Benjamin Netanyahu, incluindo imagens avaliadas pelas autoridades envolvidas. Trata-se, nas palavras oficiais, do desfecho de um dia de guerra total — porém, segundo os responsáveis pela operação, não o fim da ofensiva.
Em mensagem de oito minutos divulgada em vídeo, o presidente Trump afirmou que “os raid continuarão enquanto não houver paz no Oriente Médio”. A operação, designada nos canais militares como “Fúria Épica” pelos EUA e “Rugido do Leão” por Israel, foi deflagrada após a ruptura das negociações entre Washington e Teerã: sem obter por vias diplomáticas o desmantelamento do programa nuclear iraniano, a administração norte-americana optou pelo uso da força.
Trump reiterou o compromisso de impedir que o Irã alcance a arma nuclear: “O Irã nunca terá a arma nuclear”, disse o presidente, ao justificar a amplitude da operação iniciada em 28 de fevereiro, mais extensa que os ataques norte-americanos a sítios nucleares ocorridos em junho de 2025. O objetivo declarado pelos lideres dos ataques é favorecer um regime change em Teerã; com a morte de Khamenei, segundo Trump, essa mudança estaria agora “ao alcance”.
Nas redes, o presidente publicou que a queda de Khamenei representa “a maior oportunidade para o povo iraniano recuperar seu país”. Ele afirmou ainda que muitos elementos da Guarda Revolucionária, forças armadas e corpos de segurança estariam buscando imunidade e, na visão da administração americana, poderiam ser integrados ao processo de transição — condicionando, porém, essa integração a um abandono pacífico das hostilidades.
Trump delineou uma condição clara para o cessar-fogo: o fim dos ataques dependente do alcance de um novo equilíbrio regional. “Os bombardeios pesados e precisos continuarão ininterruptamente por toda a semana ou pelo tempo necessário para alcançar nosso objetivo de paz no Oriente Médio e no mundo”, afirmou.
Segundo relatos de Tel Aviv, a Força Aérea israelense atacou cerca de 500 alvos militares — entre bases de lançamento de mísseis e sistemas de defesa — mobilizando 200 caças naquilo que as autoridades israelenses classificaram como “o maior ataque na história de sua aviação militar”. Alvos de alto escalão do aparato iraniano teriam sido priorizados; as forças israelenses acreditam ter eliminado o comandante dos Guardiões da Revolução, Mohammad Pakpour, entre outras lideranças.
Este episódio marca uma mudança tectônica na dinâmica de poder regional: não se trata apenas de um golpe pontual, mas de um movimento estratégico que procura alterar a arquitetura do poder interno no Irã e recalibrar alianças e capacidades militares na região. Como em um jogo de xadrez em que se sacrificam peças para abrir uma coluna decisiva, a operação assume riscos elevados e imprevisíveis.
As consequências humanitárias, políticas e militares ainda são incertas. A morte de um chefe de Estado religioso de referência e a devastação anunciada de partes do país podem catalisar reações internas e externas imprevisíveis, incluindo fragmentação de lealdades no interior das forças iranianas e uma fase de instabilidade regional. O manejo dessa conjuntura exigirá, no campo diplomático, uma combinação de firmeza e cautela para evitar um desdobramento que amplie a conflagração para além das fronteiras atuais.
Enquanto as capitais recalculam movimentos e buscam compreender os alicerces frágeis da nova arquitetura emergente, o cenário permanece fluido. O que hoje é anunciado como vitória estratégica por alguns pode, em semanas, transformar-se em um novo mapa de tensões, redesenhando fronteiras invisíveis de influência e poder.
Marco Severini é analista sênior de geopolítica e estratégia internacional. Mantém acompanhamento contínuo dos desdobramentos no Oriente Médio e suas implicações para a estabilidade global.





















