Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, de forma abrupta, a tectônica de poder da região, os EUA e Israel lançaram neste sábado um ataque contra alvos no Irã, declarado por fontes ocidentais como parte da chamada Operação Rugido do Leão. Colunas de fumaça foram vistas sobre Teerã e múltiplas explosões ecoaram em cidades como Isfahan, Qom, Karaj, Kermanshah e Tabriz.
Fontes de mídia israelense afirmam que foi eliminado o comandante dos Guardiães da Revolução, os Pasdaran, Mohammad Pakpour. A informação, publicada pelo portal Ynet, deve ser tratada como relato de inteligência operacional em curso e ainda carece de confirmação independente. Pakpour teria sido nomeado pela liderança suprema — o aiatolá Ali Khamenei — após a morte de Hossein Salami, na sequência de um ataque atribuído a Israel no verão passado.
Reportagens israelenses, citando fontes anônimas, informaram que a residência do líder supremo, Khamenei, foi completamente destruída; imagens de satélite analisadas pelo New York Times mostram danos significativos no complexo e o colapso de estruturas internas. Autoridades iranianas, por sua vez, indicaram que Khamenei já havia sido transferido para uma localidade segura.
A residência do ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad também teria sido atingida, segundo o canal 12 de Israel, sem que haja, até o momento, atualização confiável sobre seu estado.
O Conselho de Segurança Nacional do Irã aconselhou a população a deixar Teerã — por precaução e mantendo a calma — e evitar concentrações em centros comerciais. As mensagens oficiais salientaram que, até então, não há risco imediato às linhas de abastecimento de bens essenciais, mas o apelo à dispersão é claro: proteger civis enquanto a geografia do conflito se altera.
Em resposta, os Pasdaran anunciaram a “primeira extensa onda” de ataques com mísseis e drones contra Israel. As Forças de Defesa de Israel comunicaram ter interceptado projéteis lançados do território iraniano, e explosões foram detectadas também em Jerusalém, segundo a agência AFP.
O alcance do confronto expandiu-se rapidamente para o Golfo: redes árabes e fontes regionais relatam lançamentos contra bases americanas em Qatar, Bahrein, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. Autoridades em Manama afirmaram que a base da Quinta Frota foi alvo de mísseis. Houve ainda relato de uma vítima fatal em Abu Dhabi.
Na cena internacional, a retórica escalou. Um pronunciamento atribuído ao ex-presidente dos EUA, Donald Trump, advertiu: ‘Depoem as armas ou morte certa’ — uma declaração que intensifica o tom beligerante e acrescenta pressão política sobre aliados e neutros. O tabuleiro diplomático, como num lance de xadrez, exige agora respostas calculadas para evitar um colapso mais amplo.
Analiticamente, trata-se de um momento de ruptura: a destruição simbólica — e possivelmente operacional — do complexo do líder supremo altera alicerces frágeis da diplomacia regional. A possibilidade de um contra-ataque prolongado, a mobilização de contingentes e a multiplicação de pontos de tensão no mapa geopolítico exigem que governos e atores não estatais recalibrem suas estratégias e linhas de comunicação.
O panorama continua fluido. Fontes militares, serviços de inteligência e agências de notícias internacionais atualizam as informações minuto a minuto. A meu ver, enquanto o pó deste primeiro choque assenta, a prioridade estratégica deve ser conter a escalada antes que rotas de interferência cresçam em simultâneo — um objetivo que pede, hoje mais do que nunca, diplomacia de alto calibre e gestos de contenção medidos.






















