Por Marco Severini — A tensão no cenário do Oriente Médio mantém-se em um estado de tensão aguda, com movimentos que simulam um xeque no tabuleiro geopolítico. Fontes vinculadas ao chamado deep state relatam que um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra alvos iranianos esteve pronto no último fim de semana, mas acabou postergado após pressões de conselheiros republicanos próximos ao presidente Donald Trump. Esse recuo temporário configura um movimento calculado: ganhar tempo enquanto se preserva a opção militar.
Em Teerã, a Guia Suprema, Ali Khamenei, já teria delineado um plano de sucessão contingente para o caso de uma tentativa de assassinato, com o ex-presidente e figura política Ali Larijani colocado em posição de destaque. Tal preparação revela que, além do confronto externo, existe um cuidado em manter a continuidade do poder — uma arquitetura dos alicerces do regime pensada também em termos de sobrevivência institucional.
No terreno interno, multiplicam-se sinais de instabilidade: novas protestos anti‑governamentais nas universidades e uma série de explosões em Parand, cidade-satelite próxima a Teerã. Observadores e críticos internacionais associam esses incidentes a ações de desestabilização onde, segundo relatos, a CIA norte‑americana e o Mossad israelense teriam papel de fomentadores. A narrativa ainda é controversa e muitas das informações permanecem em pista de confirmação, mas o efeito operacional — a erosão da normalidade urbana e política — é evidente.
Diplomacia e intimidação militar seguem uma coreografia simultânea. A Casa Branca declarou estar “pronta para novos diálogos em Genebra na sexta-feira” caso Teerã apresente, em até 48 horas, uma proposta detalhada sobre o dossier nuclear. Os emissores próximos ao presidente — entre eles Steve Witkoff e Jared Kushner — acompanharão a manobra diplomática e se dirigiriam a Genebra no dia 27 de fevereiro, se a resposta iraniana chegar no prazo esperado. É um lance estratégico: manter aberta a via negocial enquanto se pressiona por concessões verificáveis.
No plano puramente militar, os Estados Unidos teriam deslocado entre 40% e 50% da sua capacidade aérea global para a área sob responsabilidade do CENTCOM. Dois grupos de porta‑aviões — a USS Gerald R. Ford e a USS Abraham Lincoln — estão posicionados ou em rota para a região, enquanto bases na Jordânia, na Arábia Saudita e em outros pontos próximos se enchem de caças, aviões de guerra eletrônica e reabastecedores em voo. Reportagens indicam o posicionamento de cerca de 107 caças no teatro de operações e a evacuação de instalações americanas no Qatar e no Bahrain, medidas defensivas que refletem a gravidade percebida pelo comando militar.
Este cenário combina, ao mesmo tempo, a linguagem da intimidação e as últimas cartadas diplomáticas — um movimento decisivo no tabuleiro onde cada peça deve ser reposicionada com precisão. A tectônica de poder hoje é marcada por um duplo esforço: ostentar capacidade de ataque suficiente para dissuadir, e preservar uma via de saída negociada que evite o colapso regional.
Como analista que acompanha a evolução das relações internacionais, convém observar que, mesmo em escalada, as grandes potências tendem a proteger as frentes internas e as rotas de legitimação política. A substituição do confronto aberto por uma estratégia de pressão coordenada — militar, política e de inteligência — é a expressão atual de uma Realpolitik que busca estabilidade nos alicerces frágeis do sistema regional.
Continuaremos a monitorar os desdobramentos, especialmente a resposta oficial de Teerã no prazo estabelecido e o eventual deslocamento final das forças navais e aéreas. O próximo episódio diplomático em Genebra poderá ser, portanto, tanto uma armadilha como uma possibilidade concreta de reduzir a pressão: tudo dependerá do cálculo frio de cada ator neste jogo estratégico.






















