Por Marco Severini – Espresso Italia. Em um movimento que redesenha, mais uma vez, frágil o tabuleiro das políticas migratórias internacionais, a administração Trump prepara a deportação de dezenas de cidadãos iranianos para o seu país de origem já nas próximas horas. Fontes citadas pelo canal Ms Now e repercutidas pela CNN indicam que a operação, conduzida pelo Immigration and Customs Enforcement (ICE), deverá abranger ao menos 40 pessoas em um voo saindo do Arizona.
A decisão ocorre em um momento de tensão extrema: Teerã tem intensificado ações punitivas contra dissidentes desde as manifestações que abalaram o regime, e reportes indicam execuções em massa — segundo algumas fontes, pelo menos 3.000 dissidentes foram mortos na repressão subsequente. Neste contexto, organizações de defesa dos direitos humanos e advogados de imigração soam o alarme sobre o destino potencialmente letal de deportados vulneráveis.
Rebekah Wolf, advogada do American Immigration Council, destacou que entre os 40 previstos para o retorno há dois homens que se declararam homossexuais. No Irã, a homossexualidade é criminalizada e pode ser punida com a pena de morte. O último caso amplamente noticiado de execução de um casal gay remonta a 2022, e o regime iraniano continua a figurar entre os mais repressivos do mundo em matéria de direitos de pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transgênero.
Testemunhos coletados por Ms Now ilustram o quadro humano por trás das cifras: um parente de um dos homens escalados para o voo contou que o familiar foi detido meses atrás pelo ICE, após ter vivido por anos nos Estados Unidos e constituído família com filhos portadores de passaporte americano. Em declaração obtida sob condição de anonimato, a fonte perguntou, com evidente desespero: “Como é possível que nosso presidente se mostre preocupado com os manifestantes no Irã e, ao mesmo tempo, permita que estas famílias sejam separadas e retornem a um risco de morte?”
Não se trata apenas de um cálculo administrativo; é um movimento com impacto geopolítico. Cada deportação é um lance estratégico que perpassa considerações humanitárias, acordos bilaterais e a própria percepção internacional da credibilidade dos Estados Unidos como porto de refúgio. O episódio também se insere em uma sequência de operações similares: fontes relatam que este seria o terceiro voo de deportação recente — o primeiro, em setembro, teria levado 55 iranianos, e um segundo, em dezembro, teria repetido número semelhante.
Como analista que observa os jogos de poder entre nações, resta observar se haverá repercussão diplomática efetiva ou se o acontecimento ficará confinado aos corredores judiciais e às salas de advocacia que tentam, no limite, proteger vidas. Em termos estratégicos, é um movimento que fragiliza alicerces da diplomacia humanitária e testa a resiliência das instituições americanas diante de dilemas morais e legais.
Enquanto isso, as famílias aguardam aflitivas notícias e advogados preparam recursos que, muitas vezes, se tornam o último bastião contra decisões que podem alterar destinos de maneira irreversível. No grande tabuleiro, cada peça deslocada aqui reverbera além das fronteiras, desenhando um mapa de influência e consequências que exigirá respostas claras de Washington e de parceiros internacionais.





















