Marco Severini — Em um movimento que altera o equilíbrio diplomático no tabuleiro do Médio Oriente, os Estados Unidos autorizaram hoje a partida de funcionários governamentais não essenciais e de seus familiares de Israel. A decisão sucede um agravamento das tensões relacionadas ao diálogo nuclear com o Irã e coincide com um reforço material das posições militares americanas na região.
O Departamento de Estado emitiu um comunicado citando riscos crescentes à segurança e advertiu que a embaixada poderá limitar viagens a algumas áreas de Israel, incluindo a Cidade Velha de Jerusalém e a Cisjordânia. A orientação propõe que cidadãos norte-americanos considerem deixar o país enquanto voos comerciais ainda estiverem disponíveis.
O embaixador dos EUA em Tel Aviv, Mike Huckabee, enviou uma mensagem interna — reproduzida pela imprensa — instruindo o pessoal diplomático e suas famílias que desejem sair que o façam “HOJE MESMO”, acrescentando que a prioridade é “sair rapidamente do país”, ainda que não haja motivo para pânico. Huckabee salientou que a medida provavelmente provocará uma elevada demanda por assentos aéreos imediatos.
Paralelamente, a China adotou postura cautelar. A emissora estatal CCTV recomendou que os cidadãos chineses em Israel reforcem as precauções de segurança, preparem planos de emergência e evitem sair de casa se não for necessário. Além disso, Pequim aconselhou seus nacionais em Teerã a deixarem a capital iraniana, medida que traduz preocupação com a escalada regional após o terceiro ciclo de conversações nucleares em Genebra, mediadas pelo Omã.
O reforço militar americano tornou-se visível no território israelense: ao menos nove aviões-tanque dos EUA chegaram ao aeroporto de Tel Aviv durante a noite, conforme relatado pela imprensa israelense e por analistas que monitoram dados abertos de rastreamento de voos. Esses aparelhos se somam a aeronaves já deslocadas nos dias anteriores, entre elas onze caças F-22 agora posicionados na base de Ovda, no sul de Israel, além de aviões de apoio logístico e pessoal de voo.
Imagens de satélite publicadas pela agência chinesa MizarVision mostram movimentação de caças nas imediações da base, com quatro aeronaves alinhadas em uma pista de rolamento. Contrariamente, fotos recentes da base aérea de Al Udeid, no Catar, indicam ausência de aviões-tanque americanos naquele aeródromo — sinal de um reposicionamento lógico das capacidades de reabastecimento para mais perto do teatro de tensão.
Do ponto de vista estratégico, trata-se de um movimento que altera a tectônica de poder: reforços logísticos e decisões administrativas (evacuação de não-essenciais) são simultaneamente peças distintas de um mesmo lance — um desenho de precaução que busca conservar flexibilidade e dissuadir a escalada. A retórica oficial procura evitar o pânico, ao mesmo tempo em que prepara rotas de saída e concentra meios militares que assegurem prontidão.
O ambiente permanece volátil, com as negociações nucleares em Genebra sem avanços perceptíveis que reduzam os riscos imediatos. Em termos de diplomacia e estratégia, observamos alicerces frágeis: as capitais reposicionam cidadãos e ativos enquanto o tabuleiro regional se redesenha de forma lenta, mas perceptível.






















