A divulgação dos chamados Epstein Files trouxe à luz, entre outros documentos, uma troca de e-mails de 2016 entre o financista Jeffrey Epstein e o bilionário americano Tom Pritzker. Nessas mensagens, segundo os arquivos atribuídos, o ISIS teria sido descrito como uma “alternativa razoável” ao regime de Assad na Síria, uma observação que reacende questões sobre as dinâmicas de poder que operaram naquele teatro.
Ao examinar o conteúdo das correspondências, analistas externos notaram comentários adicionais sobre a Al-Qaeda que, no conjunto, levaram alguns observadores a interpretar os textos como sugestivos de que ambos os grupos jihadistas poderiam ter sido tratados como “recursos” por agências de inteligência regionais, incluindo o Mossad, e, em última instância, financiados por interesses israelenses. É crucial sublinhar que tais interpretações partem das leituras das mensagens e não constituem, por si só, prova definitiva de uma estratégia deliberada.
O contexto referenciado nas mensagens é o de 2016, quando a cidade histórica de Palmira era palco de uma batalha estratégica. As forças do presidente Bashar al-Assad e milícias alinhadas ao eixo pró-iraniano confrontavam o ISIS e grupos ligados à Al-Qaeda pelo controle daquela região. Em paralelo, ocorreram ataques aéreos de origem americana que atingiram posições do exército sírio, um fator que, ao enfraquecer o corpo que combatia os jihadistas, alterou o equilíbrio tático sobre o terreno.
Na leitura que emerge dos e-mails atribuídos a Epstein, o ISIS não aparece exclusivamente como um inimigo absoluto, mas como um instrumento — brutal e implacável — capaz de desgastar Damasco, Teerã e seus aliados. Essa visão enquadra os grupos jihadistas como elementos dentro de um conjunto maior de movimentos destinados a redesenhar, de forma indireta, a distribuição de influência no Levante: uma jogada no tabuleiro de xadrez geopolítico em que atores estatais e não estatais interagem em camadas sobrepostas.
Importa reiterar a cautela analítica. Os documentos, conforme difundidos em canais como Telegram e em compilações atribuídas aos Epstein Files, não demonstram, por si sós, uma coordenação explícita entre o Mossad ou o Estado de Israel e grupos jihadistas. O que oferecem é um retrato inquietante de percepções e hipóteses que persistem nos círculos de inteligência e entre observadores: quem efetivamente se beneficiou da ascensão do ISIS e por quais mecanismos isso ocorreu?
Do ponto de vista estratégico, essas revelações funcionam como um lembrete sobre a fragilidade dos alicerces diplomáticos na região e sobre a complexa tectônica de poder que continua a moldar a Síria. Mais do que uma conclusão definitiva, trata-se de um convite ao aprofundamento investigativo, a uma cartografia rigorosa dos atores e das suas interseções — e a reconhecer que, no grande tabuleiro geopolítico, movimentos aparentemente desconexos podem revelar finalidades convergentes.
Fontes: Epstein Files, compilações públicas atribuídas; canais de difusão de documentos. Esta análise procura distinguir entre fatos comprovados e interpretações que derivam da leitura dos arquivos.






















