Por Marco Severini — A primeira sessão do Encontro EUA-Rússia-Ucrânia realizada em Abu Dhabi foi concluída, segundo nota oficial da Presidência ucraniana. As delegações concordaram que os resultados intermediários serão reportados às respectivas capitais, mantendo o caráter de consulta trilateral neste momento sensível.
As conversações, que terminaram a primeira jornada de trabalhos, estão agendadas para prosseguir no sábado, 24 de janeiro. No tom sóbrio que caracteriza este tipo de diplomacia de alto risco, as partes procuram avanços práticos — movimentos precisos em um tabuleiro complexo onde cada peça corresponde a interesses estratégicos e verificáveis.
Do lado russo, o porta‑voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou à TASS que “o trabalho está em curso” e que há progresso, ressaltando a importância de implementar a fórmula de Anchorage. A referência confere ao documento de Anchorage um estatuto de eixo negocial: não apenas um elemento técnico, mas um alicerce político que orientaria passos posteriores, caso seja operacionalizado.
Peskov também mencionou que o assessor presidencial Yuri Ushakov evocou essa linha após um encontro entre o presidente Vladimir Putin e o enviado presidencial norte‑americano Steven Witkoff. Essa cadeia de consultas — Kremlin, emissários dos EUA e interlocutores ucranianos — descreve uma arquitetura de mediação em construção, cuja solidez ainda depende de compromissos verificáveis.
Pela delegação ucraniana, o chefe Rustem Umerov valorizou a mediação dos EUA e descreveu a sessão como focada em “parâmetros para por fim à guerra na Ucrânia e na lógica subsequente do processo negocial, visando uma paz digna e duradoura”. Umerov antecipa novas etapas e sublinha que os encontros seguintes são parte de um roteiro coordenado.
Umerov informou que, no sábado, integrarão a delegação ucraniana o Chefe do Estado‑Maior, Andrii Hnatov, e o Vice‑Chefe da Inteligência da Defesa, Vadym Skibitskyi. Depois de cada etapa, a delegação reportará diretamente ao Presidente Volodymyr Zelenskyy, garantindo alinhamento estratégico e disciplina de mandato. “A equipe ucraniana age de forma coordenada dentro dos objetivos estabelecidos pelo Presidente Zelenskyy. Estamos prontos a trabalhar em diferentes formatos, dependendo do curso do diálogo”, declarou.
Em termos geopolíticos, trata‑se de um momento em que as fricções entre interesses regionais e globais podem ser temporariamente convertidas em canais de interlocução. Ainda assim, os alicerces da diplomacia permanecem frágeis: a implementação concreta de acordos, a verificação de compromissos e atos correlatos serão os testes finais. Em linguagem de estratégia, estamos diante de um movimento decisivo no tabuleiro, cujo êxito dependerá da clareza das regras e da capacidade de traduzir acordos políticos em medidas verificáveis.
As próximas 24 horas serão, portanto, cruciais para avaliar se as intenções se transformarão em resultados tangíveis ou se permanecerão como mais uma fase de movimentação tática numa tectônica de poder que segue em transformação.






















