Por Marco Severini — Espresso Italia
O ECDC (Centro Europeu para a Prevenção e o Controle das Doenças) divulgou uma avaliação cautelosa sobre a possibilidade de introdução do vírus Nipah na Europa, após a confirmação de dois casos na Bengala Ocidental, na Índia. Embora a agência considere que a importação não pode ser totalmente excluída, o risco para cidadãos europeus que viajam ou residem na área foi classificado como muito baixo no contexto atual.
Segundo as informações reportadas pelas autoridades indianas em 26 de janeiro, ambos os casos confirmados referem-se a profissionais de saúde do mesmo hospital, que tiveram contato durante o exercício de suas funções no final de dezembro de 2025. Esse vínculo epidemiológico e o número limitado de infecções indicam, por ora, ausência de transmissão comunitária, afirma o ECDC.
As investigações locais continuam em curso. As autoridades indianas implementaram medidas de prevenção e controle, e foram rastreados e testados 196 contatos dos casos confirmados: todos permanecem assintomáticos e tiveram resultados negativos para o vírus Nipah. Em resposta ao episódio, países vizinhos — entre eles Tailândia, Nepal e Camboja — adotaram medidas precaucionais, como campanhas de informação e triagem de passageiros provenientes da Índia nos aeroportos.
Do ponto de vista técnico, a via mais provável de introdução na Europa seria através de viajantes infectados. No entanto, a possibilidade de propagação local após uma eventual importação é considerada reduzida, devido a um fator ecológico essencial: os morcegos frugívoros, conhecidos reservatórios do vírus Nipah, não são nativos da Europa. Esse dado altera substancialmente a dinâmica de risco e reduz a probabilidade de um surto sustentado no continente.
Como medida de prudência, o ECDC recomenda orientações práticas aos residentes da União Europeia e do Espaço Econômico Europeu que viajam ou residem na área afetada:
- Evitar contato com animais domésticos ou silvestres e com seus fluidos e excrementos;
- Não consumir alimentos que possam estar contaminados por morcegos, incluindo a ingestão de seiva de tamareira (suco) crua;
- Lavar, descascar e cozinhar frutas e vegetais antes do consumo para reduzir o risco de exposição.
Essas recomendações correspondem a defesas de base: são medidas simples, mas eficazes, que atuam como alicerces na arquitetura da saúde pública e evitam que um pequeno foco se transforme em um movimento decisivo no tabuleiro epidemiológico.
Enquanto os peritos monitoram a situação na Índia, o cenário global pede vigilância informada, não pânico. A resposta precisa ser técnica e coordenada: rastreamento de contatos, apoio laboratorial e comunicação transparente entre jurisdições. Em termos estratégicos, estamos diante de um episódio que exige contenção pontual e discrição diplomática, preservando as rotas de mobilidade e a economia, sem subestimar a lâmina de risco inerente a patógenos com alta letalidade.
Em resumo, o ECDC classifica o risco atual para a Europa como muito baixo, mas recomenda cautela e adesão às práticas preventivas se você estiver viajando à Bengala Ocidental ou permanecer na região. A situação será reavaliada à medida que novos dados sejam obtidos pelas autoridades indianas e pelas agências internacionais.
Marco Severini é analista sênior de geopolítica e estratégia internacional na Espresso Italia.





















