Por Marco Severini — O Centro Europeu para Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) emitiu um alerta prudente e calculado sobre a circulação em curso do vírus Chikungunya nas Seychelles. Desde novembro de 2025, foram identificados “mais de 70 casos” entre viajantes de retorno ao menos em dez países europeus, um salto significativo em comparação aos primeiros meses de 2025 que indica, nas palavras da agência, uma transmissão estabelecida no arquipélago do Oceano Índico.
Na linguagem dos mapas de poder, trata-se de um movimento visível no tabuleiro: uma nova frente epidêmica que emerge numa região onde, anteriormente, os casos ligados a viagens às Seychelles eram praticamente inexistentes. Antes de 2025 não havia relatos vinculando viajantes às ilhas ao vírus; hoje, a maré epidemiológica mudou.
O ECDC classifica o risco de infecção como elevado para os turistas que planejam deslocar-se às Seychelles, recomendando medidas preventivas reforçadas. Entre as ações indicadas estão o uso de repelentes, o sono sob redes ou em quartos protegidos por telas ou ar-condicionado, vestimentas que cubram a maior parte do corpo e, conforme as recomendações do país de origem, a consideração de vacinação.
Apesar do alerta, a agência europeia relativiza o perigo para a Europa continental: a probabilidade de transmissão local do vírus, após o regresso de um viajante infectado, é atualmente considerada improvável. A razão é pragmática e direta — as condições ambientais de inverno reduzem fortemente a atividade dos mosquitos do gênero Aedes, vetores necessários para a manutenção de cadeias locais de transmissão.
O fenômeno observado nas Seychelles integra uma propagação regional mais ampla do vírus nas ilhas do Oceano Índico. O relatório do ECDC aponta aumento de atividade em locais próximos — Maurício, Comores, La Réunion e Mayotte — sendo que estas últimas registaram, em 2025, surtos de larga escala. Nas Seychelles, segundo as autoridades sanitárias locais, o Chikungunya apresenta-se mais prevalente que outros arbovírus transmitidos por vetores.
Os sintomas podem surgir alguns dias após a infecção e, por vezes, já após o regresso ao país de origem. Dor de cabeça, febre, náusea, vômito e dores musculares e articulares figuram entre a apresentação clínica mais comum. O ECDC aconselha que viajantes que se sintam indispostos — em especial com febre ou dores articulares — consultem prontamente um médico e informem sobre a viagem às Seychelles.
Do ponto de vista da mitigação, além do cuidado pessoal para evitar novas picadas de mosquito (repelentes, roupas protetoras), é estratégico que o indivíduo doente reduza mobilidade, mantenha hidratação adequada e evite expor-se a vetores para impedir qualquer risco residual de introdução local. Após o retorno, recomenda-se vigilância clínica e comunicação imediata com serviços de saúde caso surjam sintomas compatíveis.
Em termos geopolíticos e de saúde pública, estamos diante de um reajuste nas linhas de influência sanitária no Índico — uma mudança que exige coordenação entre autoridades locais, centros de vigilância internacionais e profissionais de saúde que atuam nos pontos de entrada. Em linguagem de xadrez: a aparição de um novo foco é um lance que reclama resposta estratégica para proteger territórios vulneráveis sem causar pânico desnecessário.
Em síntese, para quem projeta viagens às Seychelles nos meses de pico (fevereiro a abril), a recomendação do ECDC é clara: adotar medidas de proteção robustas, considerar a vacinação conforme orientação do país de origem e manter atenção clínica após o retorno. A prevenção, neste momento, é a jogada mais prudente no tabuleiro.






















