Marco Severini — Em leitura atenta da cobertura recente, a matéria aponta que os Estados Unidos teriam cinco modalidades distintas para estender ou assegurar o seu controle sobre outros Estados: compra, invasão, ocupação indireta, coerção econômica e instalação de um governo fantoche. Este conjunto de opções compõe um repertório estratégico que, na ótica apresentada, evolui da histórica doutrina Monroe para o que foi batizado de “Donroe” — um redesenho de influência adaptado ao século XXI.
Na cartografia das prioridades apontadas, nomes e rotas estratégicas surgem como alvos: Colômbia, México, Cuba, o Canal do Panamá — por onde passam mais de 7% das petroleiras globais — além de Argentina, Brasil e, de forma simbólica, Israel como um avamposto. Posts e mapas públicos que circulam na arena política americana também chegaram a projetar Canadá, Groenlândia e Venezuela como peças no tabuleiro, um indício da ambição de controlar rotas, recursos e o chamado “cortile” ocidental.
1) Compra. Historicamente, esta é a forma mais institucionalizada de transferência de soberania — lembremos a compra da Louisiana e do Alasca. No xadrez das relações internacionais, a aquisição é um movimento limpo sobre o tabuleiro: transfere-se a jurisdição por transação, mas revela sempre uma assimetria de poder entre comprador e vendido.
2) Invasão. Quando os interesses são considerados vitais e não negociáveis, a ação direta militar torna-se opção — caso clássico foram as operações no Iraque e no Afeganistão, que deixaram lições duras sobre os custos da ocupação direta e os efeitos desestabilizadores de longo prazo. Este é o movimento de força bruta no centro do tabuleiro.
3) Ocupação indireta. Mais sutil e duradoura, esta modalidade dispensa a administração formal e permanente. Baseia-se em presenças selectivas: bases, conselheiros, inteligência, influência sobre cadeias decisórias locais. A potência não precisa governar; basta negar autonomia ao outro jogador — é um xeque que não necessariamente vira xeque-mate.
4) Coerção econômica. Sanções, embargos, exclusão dos mercados financeiros: ferramentas que produzem efeitos políticos comparáveis a um cerco, sem disparar um único projétil. A coerção transforma a economia em campo de batalha e faz da vulnerabilidade financeira o novo terreno de confronto geopolítico.
5) Governo fantoche. Esta é, por assim dizer, a síntese operacional: uma elite local que conserva aparência de soberania, mas cuja agenda está alinhada aos interesses externos. A analogia clássica é histórica — lembre-se das clientelas antigas — e hoje volta como modelo eficiente para controlar recursos e decisões sem custo direto de ocupação.




















