Marco Severini — Em um movimento que redesenha, em silêncio, partes fundamentais do tabuleiro jurídico e midiático, o cantor norte-americano D4vd (nome legal David Burke) foi apontado como “alvo” de uma investigação conduzida por um grande júri da Contea de Los Angeles no caso do homicídio de uma adolescente cujo corpo foi encontrado dentro de uma Tesla nas Hollywood Hills.
Os documentos, originalmente sigilosos, foram tornados públicos após recurso legal apresentado pelos pais e pelo irmão do artista no Texas. Mandados de intimação emitidos em 15 de janeiro buscavam colher depoimentos de três familiares de D4vd, que, segundo as peças processuais consultadas pela imprensa, recusaram-se a testemunhar. A divulgação dessas informações revelou que o artista pode enfrentar uma futura acusação formal por homicídio, embora nenhuma denúncia tenha sido ainda apresentada.
O corpo em decomposição de Celeste Rivas Hernandez, que havia desaparecido aos 13 anos e foi oficialmente reportada como desaparecida pela família em Lake Elsinore em 2024, foi encontrado em 8 de setembro — um dia após a data em que teria completado 15 anos. Segundo o mandado citado, os investigadores, ao periciarem uma Tesla Model Y 2023 apreendida em um depósito, localizaram um saco funerário com forte odor de decomposição, coberto de insetos. Ao abrir esse saco, relatam os autos, foram encontradas uma cabeça e um torso em avançado estado de degradação; braços e pernas haviam sido separados do corpo.
Além disso, um segundo saco negro, escondido sob o primeiro, continha outras partes do corpo desmembrado. O relato forense preliminar constante no mandado descreve a cena com frieza processual, sem, contudo, divulgar laudos finais do legista — que, até o momento, não tornou públicas as conclusões da necropsia.
Fontes oficiais não esclareceram a natureza da relação entre D4vd e a vítima. Representantes do artista não comentaram os desdobramentos; representantes do promotor distrital tampouco retornaram pedidos de declaração. A Tesla foi removida com guincho de um bairro abastado das Hollywood Hills, onde permanecia aparentemente abandonada.
Nas semanas seguintes ao descobrimento do corpo, o cantor manteve apresentações nos Estados Unidos, mas acabou cancelando o restante da turnê, inclusive as datas europeias que incluíam uma abertura na Noruega, assim que seu vínculo com o caso veio à tona. D4vd tornou-se figura proeminente entre a geração Z por mesclar indie rock, R&B e lo-fi pop, alcançando notoriedade viral em 2022 com “Romantic Homicide”.
Do ponto de vista estratégico, esta investigação simboliza um movimento decisivo no tabuleiro jurídico-cultural: trata-se de um momento em que evidências técnicas — impressões forenses, documentos do grande júri — atravessam o véu privado que cerca celebridades, forçando um redesenho temporário das fronteiras entre fama e responsabilidade penal. A caso continuará sendo acompanhado com atenção, enquanto as peças processuais seguem sujeitas a selamento e recursos legais.
Até que haja denúncia formal, pronunciamento do legista ou desdobramentos judiciais definitivos, permanece imperativo adotar cautela terminológica: D4vd é, por ora, investigado e descrito nos autos como alvo do inquérito. A geografia desse episódio — da Tesla nas Hollywood Hills ao processo aberto pelo grande júri em Los Angeles — sublinha a tensão entre poder simbólico e responsabilidade criminal, uma verdadeira tectônica de influência que se move lentamente, mas inexoravelmente, nos bastidores do sistema de justiça.
Marco Severini — Espresso Italia





















