Por Marco Severini – Espresso Italia
Uma análise do Center for Strategic and International Studies (CSIS) revela que as primeiras 100 horas da campanha liderada pelos Estados Unidos contra o Irã implicaram um custo imediato de cerca de US$ 3,7 bilhões. Isso equivale a uma média aproximada de US$ 890 milhões por dia, com as despesas concentradas em três frentes: operações, munições e perdas de equipamento.
Na arquitetura de custo delineada pelo CSIS, a rubrica mais volumosa é a das munições, estimada em cerca de US$ 3,1 bilhões apenas no período inicial das hostilidades. Em segundo lugar, aparecem as operações aéreas: mais de 200 caças — entre aeronaves stealth como F-35 e F-22 e modelos convencionais como F-15, F-16 e A-10, além de aviões embarcados — participam da campanha. Somente a operação dos aviões baseados em terra consumiu aproximadamente US$ 125,2 milhões nas primeiras 100 horas, com um incremento estimado em torno de US$ 30 milhões por dia caso a campanha se prolongue nesse ritmo.
Outro ponto relevante do balanço é a discrepância entre gastos incorridos e previsões orçamentárias: do total, cerca de US$ 196 milhões já constavam do orçamento do Pentágono como custos operacionais, enquanto mais de US$ 3,5 bilhões permanecem não cobertos e poderão exigir novos pedidos de crédito junto ao Congresso. Em termos práticos, trata‑se de um movimento que redesenha as prioridades fiscais e expõe os alicerces frágeis da diplomacia financeira em tempos de conflito.
O próprio CSIS aponta que as estimativas se apoiam nas informações disponíveis publicamente, que o Departamento de Defesa tem divulgado de modo mais seletivo do que em campanhas anteriores no Oriente Médio. Essa opacidade complica projeções de custos totais, sobretudo quando se consideram perdas de equipamento — uma categoria cujo impacto orçamentário pode se materializar de forma abrupta e significativa.
De uma perspectiva geoestratégica, trata‑se de um movimento decisivo no tabuleiro: a aposta em capacidade aérea e em estoques de munições revela a preferência por pressão militar intensa e de curta duração, mas com impacto orçamentário de médio e longo prazo. Caso a campanha se estenda, a tectônica de poder dentro das instituições americanas — Pentágono, Congresso e administração — será testada, pois novas dotações poderiam deslocar recursos de outras frentes políticas e sociais.
Em termos de política externa, o peso dos gastos eleva o risco de sequelas econômicas internas e alimenta debates sobre responsabilidade compartilhada entre aliados. A aritmética dos custos sugere que, mesmo em operações concebidas como cirúrgicas, o componente material — sobretudo munições — pode transformar uma operação tática em compromisso estratégico duradouro.
O cenário desenhado pelas cifras do CSIS não é apenas contabilístico: é cartografia de influência. Cada munição disparada e cada hora de voo imprimem uma marca na paisagem diplomática que, se não for administrada com prudência, pode redesenhar fronteiras invisíveis de alinhamento e antagonismo.





















