Por Marco Severini, Espresso Italia — Em um movimento que reflete a lógica do tabuleiro de xadrez geopolítico, Cuba aprovou um plano para a transição operacional rumo a um possível estado de guerra, mobilizando suas estruturas de defesa nacional com o objetivo explícito de elevar a pronteza ao combate. A decisão, anunciada em comunicado oficial, é resposta direta ao agravamento das tensões com os Estados Unidos, após o ataque militar norte-americano no Venezuela que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e em vítimas entre forças de segurança, civis e militares cubanos.
O Conselho de Defesa Nacional de Cuba se reuniu para revisar e aprovar um conjunto de medidas e procedimentos destinados a preparar o país para um cenário de conflito externo. Segundo o documento governamental, trata-se de reforçar a coordenação entre organizações de comando, pessoal militar e componentes civis, em consonância com o conceito estratégico conhecido como Guerra de Todo o Povo. Em termos práticos, o plano não declara imediatamente o estado de guerra — condição que, segundo a legislação cubana, exige a configuração de uma agressão iminente em curso — mas sim ajusta logística, comunicações e prontidão operacional para um eventual confronto.
O pano de fundo desta decisão é emblemático: um ataque em grande escala realizado por forças dos EUA no início de janeiro no Venezuela desencadeou um choque direto nas relações Havana–Washington. Além da captura de Maduro, relatórios apontam para mortos entre combatentes e civis, inclusive militares cubanos, fato que provocou manifestações de massa em Havana e acirrou o embate diplomático. Fontes analíticas e reportagens indicam que os objetivos norte-americanos na operação não se limitaram ao alvejamento de lideranças políticas, mas envolvem interesses estratégicos sobre recursos, desde petróleo até reservas minerais e ativos digitais.
O presidente Miguel Díaz-Canel reafirmou a posição de não agressividade de Cuba, mas deixou claro que quaisquer tentativas de coerção ou intimidação serão enfrentadas. “Defenderemos cada centímetro do nosso território”, declarou, numa formulação que conjuga prudência diplomática e firmeza defensiva. O posicionamento cubano apela à ideia clássica de dissuasão: fortalecer capacidades para reduzir a probabilidade de ataque ou ocupação por cálculo adversário.
Na leitura estratégica, trata-se de um ajuste nos alicerces da diplomacia cubana: a ilha desloca suas prioridades operacionais sem, por ora, alterar o status jurídico do conflito. Esse movimento tem efeitos imediatos na organização interna — exercícios de comando, revisão de estoques, instrução de unidades misto-civis e redes de logística — e nos vetores externos, estimulando interlocuções regionais e alertas a parceiros e organizações multilaterais.
À luz da chamada doutrina Monroe e das ambições associadas ao atual círculo de poder em Washington, a reação cubana pode ser lida como resposta a um redesenho de fronteiras de influência hemisférica. Em termos de geopolítica prática, é um movimento preventivo: preparar o tabuleiro para reduzir vulnerabilidades e aprimorar a capacidade de coordenação entre forças regulares e civis, mantendo, entretanto, margem para canais diplomáticos que não se deem sob coação.
Este é um momento de tectônica de poder no Caribe e na América do Sul. A aprovação do plano por Havana, embora técnico em sua formulação, constitui um sinal claro à comunidade internacional: Cuba opta por elevar sua prontidão militar enquanto continua a afirmar que não busca a escalada, desde que o quadro internacional permita um diálogo desarmado por coerção. No xadrez da estabilidade regional, trata-se de um movimento calculado — firme, defensivo e de longo alcance.






















