Por Marco Severini – Em um pronunciamento com tom institucional publicado na plataforma Truth, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que, na reunião do Board of Peace marcada para 19 de fevereiro em Washington, será confirmado que os Estados membros se comprometeram com mais de US$5 bilhões destinados aos esforços humanitários e de reconstrução em Gaza, além do aporte de milhares de pessoas para a Força Internacional de Estabilização e para a Polícia Local, com o objetivo de manter a segurança e a paz para a população local.
Na mensagem, Trump qualificou o Board of Peace como uma iniciativa de «potencial ilimitado», com uma visão que, segundo ele, ultrapassa Gaza ao buscar «a paz no mundo». O presidente afirmou também que a instituição «se revelará como o organismo internacional mais importante da história» e declarou ser uma honra para si presidir o colegiado.
Reforçando a agenda de segurança, Trump ressaltou que é crucial que o Hamas mantenha seu compromisso com uma plena e imediata desmilitarização. A liderança norte-americana posiciona-se, assim, na combinação de incentivos financeiros e garantias de força para sustentar a transição — um movimento que, no xadrez das relações internacionais, pretende criar um novo equilíbrio de poder na região.
Do ponto de vista prático, o anúncio sintetiza três vetores: compromisso financeiro substancial para socorro e reconstrução; disponibilidade de efetivo humano para operação de estabilização e policiamento; e uma exigência política clara quanto à neutralização das capacidades militares de atores não estatais. Esses vetores configuram um plano de ação que visa tanto a mitigação imediata da crise humanitária quanto a remodelação dos alicerces da governança local.
É essencial observar, porém, que a implementação enfrentará entraves concretos. A mobilização de «milhares de pessoas» para a Força Internacional de Estabilização e para a Polícia Local demanda acordos de status de forças, logística complexa, mandato legal definido e aceitação local — elementos que frequentemente constituem os alicerces frágeis da diplomacia em cenários pós-conflito. Ademais, a destinação de recursos superiores a US$5 bilhões suscitará escrutínio internacional sobre transparência, mecanismos de fiscalização e prioridades na reconstrução.
Na perspectiva de estratégia global, o lançamento do Board of Peace e o protagonismo declarado pelo presidente norte-americano representam um redesenho de fronteiras invisíveis na tectônica de influência sobre o Oriente Médio. É um movimento deliberado no tabuleiro que procura articular poder econômico, presença militar e autoridade política para produzir estabilidade — ainda que a eficácia dependa da convergência de parceiros regionais e da disposição dos atores locais em aceitar formatos externos de intervenção.
Em suma, a declaração de Trump formaliza um compromisso internacional substancial, ao mesmo tempo em que abre um conjunto de desafios operacionais e políticos. O encontro de 19 de fevereiro será o primeiro teste público da capacidade do Board of Peace de converter promessas em resultados tangíveis para a população de Gaza, sem subestimar a necessidade de um desenho institucional robusto que suporte a utilização eficiente dos recursos e a pacificação duradoura.






















