Por Marco Severini — Em um registro carregado de emoção, a influenciadora conhecida como BigMama relata estar bloqueada em Dubai enquanto ataques com mísseis atingem a cidade e a região. A gravação, publicada nas redes sociais, mostra-a fora do personagem habitual — menos combativa, mais assustada — e descrevendo um cenário de apreensão: ela está em um hotel, com o ruído cortante do sibilo de projéteis e a sensação constante de que os impactos podem ocorrer a qualquer momento.
“Estão sobre nossas cabeças, e eu tenho muito, muito medo”, afirma a influenciadora, com a voz trêmula, ao explicar a situação dos numerosos estrangeiros retidos no emirado, entre eles cidadãos italianos. No vídeo, BigMama pede ajuda e “atenção” — um apelo que, nos termos diplomáticos, soa como uma solicitação direta às autoridades italianas, em particular à Farnesina, para que atue na liberação e repatriação dos nacionais impedidos de embarcar devido ao bloqueio aéreo e à escalada dos ataques.
O quadro descrito pela influenciadora não é apenas uma narrativa pessoal de medo; é também um microcosmo da fragilidade dos corredores aéreos e dos alicerces frágeis da diplomacia quando a tectônica de poder regional se movimenta. Hotéis e estruturas turísticas que durante anos simbolizaram luxo, lazer e segurança agora se transformam, por algumas noites, em abrigo improvisado, com turistas e residentes forçados a recalibrar rotinas sob o ruído de foguetes.
À luz desses relatos, é plausível identificar dois vetores de ação: o humanitário imediato — assistência consular, coordenação para pontos seguros e operações de retirada — e o estratégico — avaliação das consequências para fluxos internacionais de pessoas e capital, e o redesenho temporal das rotas e controles aéreos na região. No tabuleiro geopolítico, cada movimento logístico é, também, uma jogada que reflete prioridades nacionais e equilibra riscos.
Fontes informais e relatos de passageiros confirmam que o espaço aéreo na área foi temporariamente comprometido, complicando voos comerciais e operações de repatriação. Para os italianos retidos, o pedido de intervenção consular junto à Farnesina é tanto uma demanda de proteção quanto uma busca por garantias de que uma rota segura de retorno será organizada assim que as condições permitirem.
Minha leitura diplomática é que episódios como este exigem coordenação multilayer: em campo, equipes consulares devem priorizar prontidão e clareza na comunicação; em nível estratégico, governos europeus e parceiros regionais precisam calibrar respostas que minimizem riscos de escalada. A estabilidade das relações de poder na região depende, exatamente, da habilidade de reduzir danos humanitários imediatos sem ampliar o conflito político.
Enquanto isso, a voz de BigMama permanece como testemunho direto: o medo privado que espelha uma crise pública. É um lembrete de que, num tabuleiro onde as fronteiras invisíveis são redes de linhas aéreas e rotas diplomáticas, vidas cotidianas podem ser afetadas por decisões tomadas a centenas de quilômetros de distância.






















