Ataque em Antuérpia durante protesto curdo deixa seis feridos e quatro presos
Por Marco Severini — Em um episódio que altera temporariamente a calma cívica de uma praça europeia, um ataque com faca feriu seis pessoas, duas em estado grave, durante uma manifestação da comunidade curda em Anversa, na Bélgica. O incidente ocorreu no início da noite em frente à Ópera de Antuérpia (Place de l’Opera), informou a polícia local à AFP.
As vítimas foram prontamente hospitalizadas. Quatro suspeitos foram detidos no local, segundo porta-voz policial, que porém não confirmou ainda a autoria final nem os motivos precisos do ataque. As prisões, por ora, fazem parte de uma resposta imediata das forças de segurança para conter um potencial novo foco de violência.
A organização da diáspora curda na Bélgica, Navbel, qualificou o episódio como um “ato terrorista contra os curdos”. Navbel afirma que, durante a dispersão do protesto — que havia congregado muitas famílias e crianças — um grupo de homens se infiltrou entre os manifestantes e, repentinamente, puxou facas, atacando pessoas de forma aleatória. O relato acrescenta que os agressores seriam de origem do Médio Oriente e movidos por motivações extremistas e jihadistas, segundo o porta-voz Orhan Kilic.
O protesto reunia vozes contra as violações cometidas contra curdos no nordeste da Síria. Naquela região, o Exército do regime sírio e contingentes de grupos islamistas lançaram uma ofensiva contra as Forças Democráticas da Síria (FDS), que administram a área com grau de autonomia há vários anos. O choque entre atores estatais e não estatais nessa zona constitui uma das frentes mais delicadas da atual tectônica de poder no Oriente Médio, cujos efeitos reverberam nas comunidades curdas do exterior.
Segundo Kilic, uma nova manifestação curda, previamente autorizada para o dia seguinte em Antuérpia, foi cancelada “por respeito às vítimas e para manter a calma”. Essa decisão indica um cálculo prudente: reduzir riscos imediatos e evitar escaladas numa praça pública que, por sua própria natureza, é um barômetro social.
Do ponto de vista estratégico, este atentado — se confirmado como ato motivado por ódio direcionado a curdos — revela uma dinâmica perigosa de importação de conflitos regionais para centros urbanos europeus. É um movimento que redesenha, de forma invisível, fronteiras de segurança dentro do continente. As autoridades belgas enfrentarão o desafio de conduzir investigações rápidas e rigorosas, ao mesmo tempo em que preservam as liberdades cívicas e acalmam as tensões comunitárias.
As informações oficiais ainda são parciais. Resta confirmar a identidade dos detidos, a exata motivação do crime e a extensão do possível envolvimento de redes organizadas. Enquanto isso, a prudência e a investigação são os alicerces frágeis mas necessários para restaurar a ordem e prevenir novas ondas de violência.






















