Por Marco Severini — Em um movimento previsível no calendário das grandes decisões monetárias, a BCE e o Banco da Inglaterra realizam, nesta quinta-feira (5 de fevereiro de 2026), suas primeiras deliberações de política monetária do ano. A expectativa consolidada entre analistas é de que ambos os institutos optem por manter as atuais taxas de juro, preservando a postura cautelosa adotada no fim de 2025.
Na semana anterior, a Fed também manteve os níveis de remuneração inalterados após três cortes consecutivos, mas o que movimentou os mercados foi a indicação, pelo governo dos EUA, de Kevin Warsh como nome provável para suceder Jerome Powell ao término do seu mandato. A simples perspectiva da nomeação produziu um ajuste rápido de risco: preços do ouro e da prata sofreram correções acentuadas após meses de valorização.
O perfil de Warsh, com histórico de defesa da autonomia do banco central e postura menos inclinada a cortes bruscos do que outros pretendentes, foi interpretado como um fator de estabilização para os mercados, reduzindo algumas das dúvidas que vinham corroendo a confiança internacional na independência da autoridade monetária norte-americana.
Na zona do euro, porém, o foco do Conselho da BCE será outro: o recente fortalecimento do euro. Ao contrário do que uma leitura superficial poderia sugerir, o avanço da moeda única em 2025 decorreu, em grande medida, da fraqueza do dólar — fruto de incertezas sobre a política tarifária americana e do debate político em Washington — mais do que de uma robustez intrínseca da economia europeia.
Por ora, a projeção predominante é de que o depósito da BCE permaneça no patamar de 2,0% pela quinta reunião seguida. Cortes adicionais parecem remotos antes da segunda metade do ano, dependendo da evolução do quadro internacional e da persistência de riscos geopolíticos que possam alterar o balanço entre inflação e crescimento.
Especialistas confirmam o cenário de continuidade: Nadia Gharbi, economista sênior da Pictet Wealth Management, antecipa que a BCE manterá a política inalterada e seguirá avaliando caso a caso, em uma lógica de “reunião por reunião”. A consultoria Ebury acrescenta que a presidente Lagarde deverá reafirmar o equilíbrio da política monetária, sem sinais imediatos de novos cortes e com atenção ao fortalecimento do euro, embora intervenções diretas na taxa cambial sejam pouco prováveis neste momento.
Também pesa a ausência de novas projeções macroeconômicas oficiais da equipe técnica do banco europeu para esta reunião — um indício adicional de que qualquer mudança de tom será incremental e limitado. Kevin Thozet, do comitê de investimentos da Carmignac, destaca que isso reduz ainda mais a probabilidade de alterações significativas na comunicação.
No Reino Unido, a expectativa é de manutenção do Bank Rate em 3,75%, após quatro cortes no ano anterior. A maioria das casas de análise, incluindo estimativas citadas pela Goldman Sachs, considera elevado o grau de probabilidade de manutenção, com apenas uma minoria apostando em nova queda para 3,50%.
Em suma, o encontro desta quinta-feira configura-se como um movimento estratégico de contenção — um lance no tabuleiro onde a estabilidade das instituições e a gestão das expectativas dos mercados predominam sobre medidas abruptas. O desenrolar das tensões geopolíticas e a sinalização política em Washington continuarão a atuar como forças tectônicas para as próximas jogadas das grandes centrais monetárias.






















