Por Marco Severini — Em um novo ataque noturno atribuído às forças russas, a capital ucraniana, Kiev, sofreu uma ofensiva combinada de mísseis e drones que provocou incêndios e danos em vários pontos da cidade. As chamas deflagraram em residências nos distritos de Holosiivskyi e Pecherskyi, enquanto um edifício residencial de nove andares foi atingido no distrito de Darnytskyi.
As autoridades locais, lideradas por Tymur Tkachenko, chefe da administração militar de Kiev, informaram que as equipes de emergência atuaram para conter os focos de incêndio e procedem à verificação dos possíveis danos e vítimas. A investigação permanece em curso; relatórios preliminares ainda não consolidaram números finais de feridos ou mortos.
O ataque faz parte de uma sequência mais ampla de ações que têm atingido sistematicamente as infraestruturas energéticas ucranianas, com efeitos que já resultaram em blackouts e problemas de aquecimento em diversas cidades — um efeito estratégico com repercussões humanitárias claras à medida que se aproxima a fase mais fria do ano.
No território oriental, segundo o jornal The Kyiv Independent, Kharkiv foi alvo de um ataque em larga escala com o emprego de 17 drones e dois mísseis, atingindo diferentes bairros e ampliando a sensação de vulnerabilidade das áreas urbanas. Em Zaporizhzhia, ao sul, oito pessoas ficaram feridas — entre elas uma criança de oito anos — em consequência de um ataque noturno.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, relatou via X que, na mesma noite, a Rússia teria lançado 420 drones e 39 mísseis contra alvos ucranianos, incluindo 11 mísseis balísticos. Segundo ele, as ações visaram infraestruturas críticas e edifícios residenciais, ampliando o dano econômico e social em oito regiões.
Em termos de geopolítica, tratam-se de movimentos que não são apenas ataques isolados, mas sim tentativas de pressionar os alicerces — tanto físicos quanto políticos — da resistência ucraniana. No tabuleiro estratégico, atingem linhas de abastecimento energético e a capacidade de ressiliência civil, tentando recolocar peças no jogo de influência regional.
Os relatos se sucedem enquanto se retoma, em Genebra, um novo ciclo de conversações entre delegações ucranianas e americanas — um contexto diplomático que revela a dupla natureza do momento: simultaneamente militar e negocial. A tensão entre ação bélica e diplomacia configura uma tectônica de poder na qual cada ataque é um lance com efeitos de longo alcance.
As autoridades ucranianas continuam a monitorar a situação, priorizando salvamento, assistência às vítimas e restauração de serviços essenciais. A confirmação de dados definitivos sobre danos e vítimas depende da conclusão das inspeções em solo, enquanto a comunidade internacional observa os desenvolvimentos com atenção estratégica.






















