Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha linhas de influência no Oriente Médio, um ataque preventivo coordenado por Israel e pelos Estados Unidos começou nas primeiras horas do Shabbat, por volta das 7h30 (hora local). Explosões e colunas de fumaça foram registradas em múltiplas cidades iranianas, enquanto sirenes ecoaram em Israel e, pouco depois, veio uma resposta contundente de Teerã.
O ministro da Defesa israelense, Yoav Katz, anunciou que a operação foi lançada para eliminar o que definiu como ameaças “existenciais” à segurança de Israel, declarando o estado de emergência em todo o país. Em paralelo, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que a ação visava “ajudar o povo iraniano a conquistar a liberdade contra uma ameaça existencial” e nomeou a iniciativa como Operação “Leone ruggente”, em eco à anterior operação de junho, a “Leone rampante”.
Relatos vindos de Teerã informam que o bairro de Pasteur, onde se encontra a residência e os escritórios do líder supremo aiatolá Khamenei, foi alvo de pelo menos sete mísseis. Em Israel, sirenes tocaram às 8h15 numa clara demonstração do temor de retaliação iraniana. O Exército de Defesa de Israel (IDF) orientou a população a buscar abrigos imediatamente.
O então presidente Donald Trump, em seu resort de Mar-a-Lago e vestindo um boné de golfe branco, confirmou publicamente o ataque, declarando a intenção de destruir capacidade mísseis e da indústria balística iraniana. Trump admitiu a possibilidade de vítimas americanas e conclamou, simultaneamente, o povo iraniano a se insurgir.
A resposta de Teerã não tardou: o governo iraniano qualificou o episódio como uma nova agressão por parte de EUA e Israel e anunciou que responderia com força. Em curto espaço de tempo, foi lançada uma grande retaliação mísseis contra bases americanas na região do Golfo e contra alvos israelenses. Fontes de imprensa indicam que os Estados Unidos planejam manter operações por vários dias.
No plano diplomático europeu, a presidente do Conselho italiano, Giorgia Meloni, convocou reunião com seu vice-premier e com o ministro da Defesa, Guido Crosetto. Do Palácio Chigi veio comunicado afirmando que a Itália mantém-se próxima aos iranianos na defesa de seus direitos. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, declarou que a situação é “muito preocupante” e descartou otimismo quanto aos tempos de uma possível guerra.
Tajani acrescentou que a presença diplomática italiana em Teerã já vinha sendo reduzida, que turistas e trabalhadores foram aconselhados a deixar o país e que permanecem apenas cidadãos com residência fixa ou laços familiares. A Farnesina está em prontidão para organizar evacuações se as circunstâncias permitirem e se a operação for segura.
Como analista, observo este episódio como um movimento decisivo no tabuleiro: uma operação preventiva que visa desorganizar a capacidade de projecção de poder do Irã e, simultaneamente, expor as fragilidades da diplomacia regional. A tectônica de poder no Golfo volta a oscilar, com riscos de escalada que exigem frieza estratégica e canais discretos de comunicação para evitar um conflito aberto de consequências imprevisíveis.






















