Por Marco Severini — Em um movimento que reconfigura, silenciosamente, o tabuleiro das grandes potências espaciais, a NASA confirmou a preparação final da missão Artemis II, destinada a levar uma tripulação ao redor da Lua pela primeira vez em mais de 50 anos. Planejado para o início de março, o lançamento será um passo estratégico — tanto técnico quanto simbólico — rumo à retomada de operações humanas em órbita lunar e à eventual aterrissagem futura no satélite.
Depois de superar o último ensaio de abastecimento no Kennedy Space Center, na Flórida, a agência estabeleceu como data inicial o dia 6 de março (7 de março, horário europeu). No segundo teste do conjunto de lançamento, o mega-foguete foi carregado com propelente e submetido à rotina de contagem regressiva; lições do teste abortado no começo de fevereiro, devido a uma fuga de hidrogênio na plataforma, foram incorporadas e os problemas foram resolvidos.
A missão contará, salvo imprevistos, com uma tripulação de quatro membros — três estadunidenses, Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, e um canadense, Jeremy Hansen — que já iniciam o período de quarentena pré-voo. O veículo lançador será o Space Launch System (SLS), uma torre de 98 metros, e no topo irá a cápsula Orion, do tamanho aproximado de um minibus, onde os astronautas permanecerão durante os 10 dias da missão.
No primeiro dia, a suíte realizará uma órbita de amarração ao redor da Terra. Se os sistemas mostrarem plena operação, o veículo seguirá em direção à Lua e, em cerca de quatro dias, atingirá sua trajetória cislunar. A aproximação levará a cápsula a passar pelo lado oculto do satélite — a face nunca visível a partir da Terra — alcançando distâncias entre 6.500 e 9.500 km da superfície lunar.
Durante a fase de sobrevoo lunar, os astronautas disporão de várias horas para observação e captação de imagens, um momento crucial para coleta de dados e ensaios operacionais que pavimentam futuras missões de pouso. O trajeto de volta prevê mais quatro dias até o amerrissamento no Oceano Pacífico, fechando a missão de 10 dias.
Do ponto de vista estratégico, Artemis II não é apenas um voo de teste: é um movimento decisivo no tabuleiro geoestratégico do espaço, reenquadrando alianças (como a inclusão do Canadá na tripulação), testando alicerces técnicos e validando procedimentos que sustentarão as próximas jogadas — civis e militares — no ambiente lunar. A missão funcionará como um ensaio geral antes de operações de maior complexidade, onde a tectônica de poder no espaço será novamente redesenhada.
Enquanto a cronologia se aproxima, a comunidade científica e os atores diplomáticos observam com atenção: cada teste superado é um reforço das capacidades; cada falha abortada, uma lição para preservar vidas e objetivos. A calma e a precisão serão, como em um bom jogo de xadrez, as virtudes que determinarão o sucesso desta campanha espacial.






















