Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, de forma abrupta, a tectônica de poder no Oriente Médio, fontes israelenses e norte-americanas afirmam que o Guia Supremo do Irã, Ali Khamenei, morreu hoje após um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel à sua residência em Teerã. Não há, até o momento, confirmação oficial e incontestável das autoridades iranianas; a situação, porém, já se apresenta como um movimento decisivo no tabuleiro diplomático regional.
Segundo relatos divulgados no início do dia, a residência atribuída ao líder de 86 anos teria sido atingida por sete mísseis americanos nas primeiras horas da manhã (após as 7h, horário italiano). À noite, informações indicam que ao primeiro-ministro israelense teria sido mostrada uma imagem do corpo do líder xiita, recuperado das instalações atingidas em Teerã. Fontes citadas pela imprensa afirmam que a mesma imagem foi exibida ao presidente norte-americano, que declarou: “Parece que a notícia da morte de Khamenei é correta.” O canal Iran International, com base no Reino Unido, também repercutiu a confirmação.
Essas alegações retornam a um padrão já observado nos últimos meses de hostilidade crescente. Durante a chamada «guerra dos 12 dias» e, em especial, após o ataque norte-americano aos sítios nucleares de Fordow, Natanz e Isfahan entre 21 e 22 de junho, já surgiram indícios de que a figura do Guia Supremo estaria «desaparecida dos radares» das potências adversárias. Até então, nunca se havia colocado em dúvida a segurança pessoal do líder, protegido por uma arquitetura de bunkers e rotas de retirada dispersas pelo país.
Fontes iranianas, incluindo declarações oficiais do Ministério das Relações Exteriores, chegaram a assegurar, ainda no período vespertino, que Khamenei estaria vivo. Paralelamente, relatos apontam que, nas semanas anteriores, a liderança iraniana sofreu golpes significativos: ataques a instalações nucleares, eliminação de altos oficiais e cientistas, além de danos a infraestruturas estratégicas. Havendo utilização de ogivas penetrantes — referidas nas análises militares como a GBU-57A/B —, a vulnerabilidade de bunkers profundos passou a ser objeto de especulação.
O contexto doméstico iraniano também pesa nesse xadrez: as massivas manifestações no fim de 2025, desencadeadas por um colapso abrupto da moeda local e seguidas de uma repressão que, segundo estimativas, deixou milhares de mortos, já haviam exposto rachaduras nos alicerces da teocracia. Naquele momento, o então presidente norte-americano advertiu Teerã a conter a violência, em meio a um clima de ameaças mútuas e crescente isolamento.
Se confirmada a morte do Guia Supremo, o Irã entra em um período crítico de sucessão — um nó institucional cuja resolução não é puramente jurídica, mas profundamente política. A Constituição iraniana atribui à Assembleia de Especialistas a escolha do líder, porém a verdade do processo é determinada nas sombras: as forças armadas, os guardiões revolucionários, as elites clericais e as facções internas desempenham papéis decisivos. A ausência de uma linha sucessória clara pode traduzir-se num vácuo de comando com implicações imediatas para a condução do programa nuclear, para a coesão interna do regime e para a estabilidade regional.
Do ponto de vista geopolítico, estamos perante um redesenho de fronteiras invisíveis: aliados e adversários calibrarão seus próximos lances com cautela, sondando núcleos de influência e alianças potenciais. O Ocidente avaliará toda comunicação oficial e sinais de continuidade na cadeia de comando iraniana; movimentos bruscos, purgas internas ou tentativas de legitimação acelerada terão repercussões imediatas no mercado de energia e na segurança do Golfo.
Enquanto as imagens e as declarações se multiplicam, permanece essencial distinguir fato confirmado de propaganda estratégica. A morte de Ali Khamenei, se for confirmada, não é apenas o fim de uma figura; será o começo de uma partida de alto risco, onde cada jogador busca preservar influência e estabilidade — ou tirar vantagem do vácuo deixado pelo adversário.
Seguiremos acompanhando o desenrolar das confirmações oficiais, as comunicações da Assembleia de Especialistas e os sinais emitidos pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica. No tabuleiro da diplomacia, é tempo de observar movimentos, posicionar aliados e medir riscos com precisão.






















