Por Aurora Bellini — A tenista Naomi Osaka voltou a brilhar nas quadras dos US Open, e não apenas pelo seu desempenho: nas mãos da atleta chamou atenção mundial um exemplar especial do boneco Labubu, cravejado de cristais e carinhosamente apelidado de “Billie Jean Bling”.
O Labubu é uma criatura criada em 2015 pelo ilustrador Kasing Lung e protagoniza a série The Monsters, um universo em que o imaginário oriental se entrelaça a ecos de contos ocidentais. Com orelhas pontiagudas, dentes afiados e uma expressão que oscila entre a doçura e o estranho, o personagem ganhou vida além das páginas graças ao formato de venda conhecido como blind box — caixas-surpresa que mantêm o modelo oculto até o momento da abertura — e à parceria com a empresa chinesa Pop Mart.
O curioso efeito foi que, do nicho de colecionadores, o Labubu se transformou num fenômeno cultural global. A cena explodiu quando Lisa, integrante do grupo Blackpink, foi fotografada com um chaveiro Labubu na bolsa; o gesto acendeu uma onda viral que percorreu principalmente TikTok e Instagram, onde vídeos de unboxing, trocas e montagens criativas proliferaram.
Em nossa análise na La Via Italia, a ascensão dos Labubu não é acaso: trata-se de uma estratégia de mercado pensada para criar desejo. A Pop Mart explorou a ideia da “escassez artificial” — limitando a oferta das blind box — e assim fomentou uma cultura do colecionismo que se alimenta do mistério e do frisson do descobrimento. O resultado é um ecossistema social e econômico em que o ato de abrir uma caixa se torna conteúdo e evento.
Para Naomi Osaka, conhecida não só pelo talento nas quadras mas também por seu senso estético e conexão com tendências, ter um Labubu tão singular faz sentido: é uma peça que dialoga com identidade, afeto e imagem pública. Ao batizá-lo de “Billie Jean Bling”, a atleta traçou um fio entre moda, memória cultural e humor — iluminando novos caminhos de como objetos simbólicos podem ampliar narrativas pessoais.
Mais que um acessório de moda, o Labubu representa um momento em que tecnologia, marketing e cultura pop tecem uma nova paisagem do consumo afetivo. Os vídeos que inundam redes sociais, os mercados que reagem e os fãs que colecionam são sinais de um renascimento cultural em que pequenos ícones sustentáveis — em atitude e símbolo — ajudam a semear inovação e a construir um horizonte límpido para o design de brinquedos e a economia criativa.
Na quadra, Naomi Osaka busca sua trajetória no torneio; fora dela, sua escolha estético-afetiva ilumina conversas sobre identidade, consumo e o papel das imagens na construção de legado. Em síntese, o Labubu não é apenas um brinquedo: é uma lâmina de luz que revela novas conexões entre arte, cultura e mercado.





















