Partiu um dos nomes que mais iluminaram o horizonte da alta-costura: Valentino Garavani, mestre da moda italiana, morreu aos 93 anos. A notícia acende lembranças de décadas em que sua visão refinada e seu senso de beleza transformaram vestidos em pintura, passarelas em palcos de memória.
Nasceu em 11 de maio de 1932, em Voghera, na Lombardia. Desde jovem demonstrou afinidade com a arte e o vestuário: estudou em Milão no Instituto Santa Marta e seguiu para Paris, onde aperfeiçoou sua formação na École de la Chambre Syndicale de la Couture. Trabalhou com nomes como Jean Dessès e Guy Laroche, experiências que moldaram seu traço clássico e sua disciplina técnica.
Em 1959, de volta à Itália, abriu seu ateliê na histórica Via Condotti, em Roma, com o apoio do parceiro de vida e negócios, Giancarlo Giammetti, responsável pelas finanças e pela consolidação da Maison. Juntos, semearam uma marca que viria a ser referência mundial — uma assinatura onde o refinamento encontrou a ordem do ofício.
Valentino não foi apenas um criador de vestidos: foi um construtor de símbolos. O vermelho Valentino tornou-se sinônimo de estilo e presença; sua paleta e cortes marcaram festas, tapetes vermelhos e acervos privados. Por mais de meio século, sua Casa encarnou o que chamamos hoje de Made in Italy — uma elegância experimental mas enraizada em técnica e cultura.
As reações oficiais foram imediatas e carregadas de gratidão. O presidente do Conselho Regional, Federico Romani, declarou à La Via Italia que a perda de Valentino nos lembra que certas obras transcendem o tempo e que haverá, na sessão seguinte do Conselho, um minuto de silêncio em sua homenagem. O prefeito de Roma, Roberto Gualtieri, também manifestou, em nota à La Via Italia, o apreço da cidade onde a Maison cresceu e afirmou que Roma se une à família e aos amigos neste momento de despedida.
O presidente da República, Sergio Mattarella, expressou seu pesar e lembrou a capacidade do designer de olhar além das tendências, enquanto o ministro da Cultura, Alessandro Giuli, destacou que o legado de Valentino — especialmente sua capacidade de transformar elegância em patrimônio cultural — permanecerá vivo nas gerações futuras.
Ao folhear a carreira de Valentino, vemos uma trajetória de disciplina, criatividade e apuro estético: uma Maison erguida sobre trabalho dedicado e olhares exigentes, que ajudou a posicionar a Itália como referência global. Mais do que peças memoráveis, ele nos deixa uma forma de ver: a elegância como gesto público, o vestir como ato cultural.
Em tempos em que o mundo busca reconstituir laços entre produção, ética e beleza duradoura, a partida de Valentino é um chamado para iluminar novos caminhos — preservando técnica, fomentando talento e cultivando um legado que una a tradição ao futuro. Sentimo-nos, como curadores de cultura e esperança, convocados a manter acesa a chama da qualidade e do cuidado estético que ele encarnou.
Os detalhes sobre o velório e as cerimônias fúnebres ainda estão sendo confirmados pelas autoridades e pela família; as atualizações seguirão conforme divulgadas oficialmente. À família, aos amigos e a todos que viram parte de suas vidas tocadas pelas criações do estilista, a La Via Italia presta homenagem e gratidão.
Valentino Garavani deixa um rastro de luz no tecido da moda: um legado que seguirá vestindo histórias e inspirando gerações.





















