Scott Adams, cartunista norte-americano e criador da tira satírica Dilbert, morreu aos 68 anos em sua residência em Pleasanton, Califórnia. A confirmação foi feita por sua ex-esposa, Shelly Adams. Em maio de 2025, Adams havia tornado pública a doença: diagnóstico de câncer de próstata em estágio avançado com metástases ósseas e prognóstico desfavorável.
Por mais de três décadas, a figura do engenheiro “nerd” Dilbert foi um dos retratos mais reconhecíveis e impiedosos da vida de escritório contemporânea. Com traço propositalmente minimalista e diálogos concisos, Adams transformou as frustrações cotidianas — reuniões intermináveis, gerentes incompetentes e hierarquias ilógicas — em sátiras imediatamente compreensíveis por milhões de trabalhadores.
Ao lado do protagonista surgiram personagens que se tornaram arquétipos da cultura corporativa: o Pointy-Haired Boss, símbolo da incompetência gerencial; Alice, profissional competente frequentemente ignorada; Wally, especialista em evitar trabalho; Asok, estagiário talentoso e explorado; e Dogbert, cão cínico e manipulador obcecado por poder. Havia ainda figuras secundárias como o gato indiferente (Catbert) e o rato otimista (Ratbert), que ampliaram o universo satírico criado por Adams.
No auge da popularidade, no final dos anos 1990, a tira era publicada diariamente em cerca de 2.000 jornais ao redor do mundo, aproximando-se de clássicos como Peanuts e Garfield. O sucesso editorial se estendeu para livros, coletâneas, produtos licenciados, uma série animada para televisão e campanhas publicitárias de grande visibilidade.
Scott Raymond Adams nasceu em 8 de junho de 1957, em Windham, estado de Nova York. Filho de uma família de classe média, formou-se em Economia pelo Hartwick College e concluiu um MBA na Universidade da Califórnia, Berkeley. Trabalhou inicialmente em banco e depois no setor de telecomunicações. Essas experiências em ambientes corporativos serviram de matéria-prima para Dilbert, que nasceria informalmente de caricaturas feitas durante reuniões e circuladas entre colegas.
A distribuição oficial da tira começou em 1989; Adams deixou definitivamente o trabalho de escritório em 1995, quando a publicação passou a sustentar sua carreira. Paralelamente às tiras, Adams ganhou reconhecimento como autor de ensaios satíricos sobre o mundo do management. O mais famoso, The Dilbert Principle (1996), defendia de forma provocadora que os trabalhadores menos competentes tendem a ser promovidos a cargos gerenciais, consolidando a imagem de Adams como um observador ácido das dinâmicas empresariais.
Nas décadas seguintes, no entanto, a figura pública de Scott Adams tornou-se progressivamente mais divisiva. Por meio de blogs e podcasts, ele passou a manifestar posições políticas e sociais que despertaram críticas intensas. Em 2023, declarações suas provocaram controvérsia e ruptura com parte do público e de meios de comunicação, marcando uma mudança no modo como sua obra e sua persona eram recebidas.
O falecimento de Adams encerra a trajetória de um autor que, apesar das controvérsias tardias, deixou um legado duradouro na representação satírica do mundo corporativo. Sua criação, Dilbert, permanece como referência para a crítica bem-humorada das instituições de trabalho modernas.
















