Maria Rita Parsi, psicóloga e psicoterapeuta de reconhecimento internacional e referência inabalável na defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes, morreu aos 78 anos. Sua trajetória — clínico-institucional, científica e midiática — transformou o cuidado infantil numa pauta pública e uma disciplina de compromisso cívico.
O anúncio do falecimento foi feito pelos amigos íntimos Piergiorgio Assumma e Stefania Massimiliani. Os funerais serão celebrados no sábado, 7 de fevereiro, às 11h, na igreja de San Salvatore in Lauro, em Roma. A capela ardente ficará instalada na mesma igreja nos dias 5 e 6 de fevereiro, das 9h às 19h, para que colegas, familiares e a comunidade possam prestar homenagem.
Nascida em Roma a 5 de agosto de 1947, Maria Rita Parsi dedicou toda a vida ao estudo e à tutela da infância. Depois de longa carreira como docente, psicopedagoga e psicoterapeuta, ampliou seu campo de ação para os meios de comunicação e a formação social. Em 1986, colaborou como roteirista na série televisiva “Professione vacanze”, cujo protagonista Jerry Calà fora, em um dado momento, seu paciente — uma peculiar intersecção entre clínica e cultura popular.
Mas é como criadora da psicoanimazione que Parsi deixou uma marca indelével. Fundadora da Scuola Italiana di Psicoanimazione (Sipa), ela concebeu uma metodologia humanística que converte teoria em prática: técnicas de animação psicológica aplicadas ao desenvolvimento do potencial humano, à educação e à terapia. Essa abordagem funcionou como um roteiro oculto para transformar sofrimento em criatividade, tornando-se ferramenta concreta de ajuda e de crescimento.
Em 1992, fundou a associação onlus “Movimento per, con e dei bambini”, que, a partir de 2005, passou a ser a Fondazione Movimento Bambino Onlus. Sob sua liderança, a fundação se consolidou como centro de referência na promoção da cultura da infância, na luta contra abusos e violências, e na defesa da proteção jurídica e social das crianças. Sua voz era, de fato, um espelho do nosso tempo: insistia em ouvir os pequenos para compreender necessidades e arquitetar mecanismos reais de proteção.
Parsi também levou sua experiência para a televisão e para a imprensa: participou de programas como Junior Tv e assinou colaborações regulares em títulos como Il Messaggero, Il Giorno, Il Resto del Carlino, La Nazione, Oggi, Donna Moderna, Starbene e Riza Psicosomatica. Desde 1995, estava inscrita como jornalista publicista no Ordine dei Giornalisti del Lazio, conjugando rigor científico e clareza divulgativa para ampliar a alfabetização emocional da sociedade.
No plano institucional, desde 2021 fazia parte do grupo de trabalho do Ministério do Trabalho e das Políticas Sociais, contribuindo com sua experiência para a formulação de políticas públicas voltadas à infância e adolescência. A amplitude de seu percurso — da clínica à escrita, da sala de aula ao parlamento — confirma uma vida dedicada a traduzir conhecimento em proteção.
Enquanto a Itália e o mundo recordam suas obras e iniciativas, resta a herança de uma prática que não se limitou a diagnosticar problemas, mas que propôs intervenções vivas e coletivas. A obra de Maria Rita Parsi nos convoca a ver a infância como ficção e documento: narrativa que guarda memórias, vulnerabilidades e possibilidades. Como analista cultural, penso que sua trajetória funcionou como uma espécie de reframe da realidade social — um convite a reformular o enredo público para que as vozes pequenas tenham espaço e direito à própria história.
A despedida em San Salvatore in Lauro será também um momento público de reflexão sobre políticas, práticas terapêuticas e o trabalho educativo. Em tempos de rápidas viradas midiáticas, o legado de Parsi nos lembra que o verdadeiro impacto se constrói no cotidiano, com técnicas, formação e, sobretudo, escuta atenta.
Chiara Lombardi para Espresso Italia






















