Em tom incisivo e bem-humorado, Fiorello trouxe à tona uma questão que movimentou o estúdio de La Pennicanza, atraindo atenção para a política de compensação dos espectadores das gravações de Affari Tuoi e para o futuro do histórico Teatro Delle Vittorie em Roma. O episódio ocorreu durante a edição de quarta-feira, 14 de janeiro, do programa transmitido pela Rai Radio 2, que vai ao ar de segunda a sexta às 13h45.
Interagindo com o público presente no estúdio, Fiorello descobriu que muitos dos participantes frequentam também as gravações de Affari Tuoi, realizadas justamente no Teatro Delle Vittorie. Segundo relatos, quem participa das sessões costuma gravar três episódios em um único dia — um ciclo que dura cerca de seis horas, considerando intervalos e preparativos entre as tomadas. Para essa maratona, o pagamento informado seria de apenas 30 euros brutos por pessoa, valor que gerou surpresa e a crítica pública do apresentador.
“Chiamate Corona subito!” — ironizou Fiorello, evocando a figura de Lorenzo Corona em tom de brincadeira e indignação. O apresentador também observou que, durante as gravações, não há sequer oferta de água aos figurantes, que precisam adquirir bebidas nas máquinas do próprio Teatro Delle Vittorie. “Minimo devono dare 150 euro a persona“, disse, defendendo uma reorganização na calibragem dos compensos que reflita o tempo e o esforço exigidos dos participantes.
Além do tema dos honorários, Fiorello comentou, com a habitual mistura de ironia e crítica, os cortes de pessoal que estariam em curso na emissora: “Quante magagne ci sono in queste azienda: chissà cosa c’è dietro questi licenziamenti che sta facendo Alibrandi”, referindo-se ao diretor de Rai Radio 2, Giovanni Alibrandi. A sequência terminou com um apelo contundente: “Non toccate il ‘Delle Vittorie’!” — uma defesa do patrimônio cultural e do espaço que funciona como palco e motor da agenda televisiva.
Do ponto de vista de gestão cultural e administrativo, a fala de Fiorello expõe uma questão de design de políticas e reputação: quando o público é remunerado abaixo do justo, a própria imagem do produto televisivo sofre desgaste. Em termos de economia de imagem e experiência do espectador, trata-se de calibrar incentivos como quem ajusta a suspensão de um veículo de alta performance — uma mudança necessária para manter a aceleração das tendências de engajamento sem perder o alinhamento com práticas éticas.
O episódio reacende a petição pública que pede a preservação do Teatro Delle Vittorie e a não venda do espaço por parte da Rai, colocando em evidência a tensão entre decisões administrativas e o valor simbólico de espaços culturais.


















